BOSS OD-3 x BOSS SD-1

26 de jun. de 2007 |

Quando eu comecei a desenhar o cronograma da Toca dos Efeitos para os primeiros meses, pensei em diversas questões para que fosse possível manter a atualização do blog de certa forma constante e trazendo consigo algumas opções diferentes de abordagens...

... quanto à primeira parte (atualização constante), procurei não definir, num primeiro momento, nenhum tipo de “periodicidade obrigatória”, uma vez que ainda estava e estou levantando com que freqüência a Toca tem recebido visitas e atraído o interesse a cada nova postagem. Por outro lado, também não poderia deixar de considerar que, ainda que eu leve muito a sério, friso, a Toca dos Efeitos é um pouco um compromisso descompromissado, especialmente porque fora “dela” tenho outras atividades, incluindo algumas que pagam a banda larga e outros elementos que me possibilitam alimentar o blog... hehehehe... assim, de pronto, peço desculpas à todos pelo longo período que a Toca ficou sem uma nova postagem, mas gostaria de explicar que, embora eu procure evitar isso, eventualmente é complicado frente aos compromissos e ao acumulo deles em determinados períodos. De qualquer forma, com o tempo, procurarei me organizar melhor para evitar que esse tipo de imprevisto se repita...

... por outro lado, quanto à segunda parte da ponderação que fiz no primeiro parágrafo (diferentes abordagens), venho, mais uma vez, apresentar uma das opções que a Toca dos Efeitos procurará oferecer à vocês...

... relembrando, o review anterior trazia consigo a idéia de, não só publicar textos de pessoas de fora da Toca, mas também de apresentar um texto de pessoas com experiências e abordagens diferentes da minha. É claro que a intenção, no futuro, não é publicar dois review´s de um mesmo pedal na seqüência, como foi feito com o OD-3, o que se deu, na verdade, para verificar a receptividade do pessoal à essa idéia...

... agora, terminando a recente saga do OD-3, venho apresentar um novo conceito que, na medida do possível procurarei usar, que é a comparação igual de dois ou mais pedais... em destaque, dois overdrive´s da BOSS, o OD-3 e o SD-1...

... essa “modalidade”, digamos assim, tem uma vantagem interessante: mesmo que o equipamento utilizado ainda não seja o ideal (falo mais do amp., da câmera de filmagem e etc.), isso importa menos quando estamos falando de comparação, pois, ainda que eventualmente não se consiga o melhor timbre que qualquer um dos pedais possa oferecer, em condições de igualdade é possível identificar o que diferencia um do outro, na medida do possível...

... quando fiz a escolha de começar essa “modalidade” com os drive´s OD-3 e SD-1, 1) eu imaginei que o review do OD-3 teria boa receptividade – o que de fato aconteceu, especialmente por se tratar de um bom drive que o pessoal pouco conhece; e 2) porque o SD-1 é um clássico, conhecido e sempre lembrado por todos, o que, claro, sempre aguça a curiosidade do pessoal, ainda mais comparado com outro bom drive...

... outra coisa importante, e talvez a mais importante da minha proposta, é que sempre que houver alguma publicação nesse estilo a minha intenção não é exatamente de apontar com profundidade, como faço e farei nos review´s convencionais, as diferenças que eu identifico entre os pedais, mas sim de poder oferecer um material que permita que cada um ouça os samples e/ou veja o vídeo e tire suas próprias conclusões à respeito...

... no caso em destaque, sendo breve, o OD-3, como já explanado, é um drive um pouco mais forte, com maior saída, mais transparente e mais ardido que o SD-1, que, por sua vez, é mais macio, com maior projeção de médios e, na minha opinião, mais versátil... o primeiro é superior quando usado com captação single-coil, enquanto que o segundo soa melhor com humbucker´s... e, de resto, através do material que disponibilizarei, deixo que os amigos concordem ou não com essas breves ponderações e tirem suas próprias conclusões... hehehe...

... para essa postagem, eu preparei um vídeo que mostra ambos pedais sendo testados e comparados... na ocasião, usei uma guitarra Jackson ATX e o humbucker da ponte EMG-81... o amplificador, como de praxe, é o pequeno Staner Kute25... e, por fim, as regulagens utilizadas são as seguintes:

LEVEL TONE DRIVE
1) Full 12h Zero
2) 12h 9h 9h
3) 12h 12h 12h
4) 12h 3h 3h
5) 12h Full Full

No mais, amigos, espero que essa iniciativa também agrade a todos para que, no futuro, eu me sinta compelido/obrigado a trazer sempre um material cada vez mais abrangente para vocês, ok? hehehehe

De resto, mais uma vez reitero minhas desculpas pela demora na atualização e já adianto que, atendendo a pedidos, o próximo review será do clássico delay da BOSS, o DD-3...

... ah, e antes que eu me esqueça, quero mais uma vez agradecer à Vibe Guitars pelo apoio e reiterar que o pessoal mande seu email para tocadosefeitos@yahoo.com.br, entrando, assim, no mailist da Toca, que oferece aviso das atualizações do blog, informações gerais de efeitos e muito mais no futuro, ok?...

... até a próxima...


Leia mais

BOSS OD-3 - por Diogo Felipe de Aguiar

5 de jun. de 2007 |

Uma
“pequena”
introdução
antes do
Review

Em alguns fóruns de discussão, tenho escrito que “a Toca dos Efeitos não pretende ser um tipo de República do Milton”, mas sim de ser um canal de informação abrangente e qualificada...

... claro que à essa colocação predeceu uma pergunta: - Outras pessoas podem escrever review´s pra Toca dos Efeitos?...

... bom, como tudo que está no início, prefiro ir com calma no que cerne à modificações mais relevantes ao padrão que mal nasceu juntamente com a Toca dos Efeitos... contudo, tenho achado interessante algumas ponderações feitas, sendo que um delas foi determinante para o review que segue abaixo...

... num dos comentários feitos na comunidade Efeitos de Guitarra, do orkut, o membro Diogo Felipe, famoso por ser defensor ferrenho (hehehehe) do BOSS OD-3, que foi foco de análise no meu último review, ponderou que “Eu sou o maior fã do od3 do Brasil, já tive de tudo: ltd barber, tube screamer, bluesbracker, sd1, od1, blues driver, direct drive e CIA e tinha vontade de falar dele em comparação aos outros, ainda mais porque sou strateiro, ao contrário do Milton, que toca com EMG's e tem uma abordagem diferente”...

... o que prontamente me chamou a atenção foram as últimas 3 palavras: uma abordagem diferente. Achei essa colocação preciosa e ví nela um elemento muito importante para tornar a Toca dos Efeitos ainda mais completa, qual seja, ampliar a qualidade das análises nas diferentes abordagens existentes... mesmo eu, que estou acostumado a escrever review´s, e que consigo, com certa facilidade, ser bastante “neutro”, não tenho como dizer que o consigo plenamente, pois a minha bagagem como músico é mais na linha do rock e do metal e, inegavelmente, alguém da área do blues e do jazz escreverá com muito mais propriedade do que eu sobre a qualidade e ação de um determinado efeito nesses estilos...

... entretanto, entre perceber e escrever sua percepção, há um longo caminho, motivo pelo qual, no início desta introdução, escreví que quero ir com calma para começar a publicar review´s de outras pessoas... contudo, conheço algumas pessoas melhor do que outras, e dessas tenho como saber um pouco mais sobre sua percepção e, especialmente, sobre sua condição para expressar de forma positiva e qualificada aquilo que foi percebido...

... o Diogo é uma dessas pessoas e, assim como com outras, foi convidado por mim para escrever um review, trazendo consigo um pouco dessa abordagem diferente que ele referiu... dessa forma, a Toca dos Efeitos começa um processo, ainda lento, é verdade, mas começa, que é o que importa, para publicar review´s de alguns “afiliados”... hehehehe...

... espero que todos gostem e que comentem para que se possa saber se a iniciativa agradou ou não, ok? No mais, bom proveito à todos... hehehe



BOSS OD-3
Por Diogo Felipe de Aguiar

Bem, fui convidado a fazer um review sobre este maravilhoso pedal, talvez pelo fato de eu ser um admirador declarado dele e de tocar com ele por muitos anos. Quando fui comprá-lo, o testei lado-a-lado ao SD-1, que gosto bastante, mas com pouquíssimo tempo deu pra ver que o OD-3 se adaptava mais ao meu estilo e maneira de tocar.

Antes de qualquer coisa, gostaria de esclarecer que tenho uma abordagem e estilo musical bem diferente do Milton. Eu uso, na maioria das vezes, Stratocasters com captação single normal, ou no máximo um mini-hambucking na ponte, pra tocar com drives. Todas minhas guitarras possuem captação passiva. Além disso, toco muito jazz, fusion, pop, rock e de vez em quando hard rock, mas não mais que isso. E é pra esses estilos que toco que analisarei o pedal, e não para metal ou gêneros que exigem muito ganho e peso.

O OD-3, como já dito, é um dos pedais mais subestimados da BOSS, sendo talvez o overdrive mais desconhecido da marca, ao lado do BD-2. Já tive por um bom tempo o Blues Driver, que possui mais saída, pode ficar bem limpo e bem sujo também, mas não possui um overdrive de baixo ganho tão bom como o OD-3, na minha opinião.

O OD-3, quanto à construção, não tem muito o que ser acrescentado. A BOSS merece parabéns pela robustez, durabilidade e confiança que passa com seus pedais. Com o OD-3 não é diferente. O pedal é totalmente industrializado e apenas as soldas dos jacks e do pequeno footswitch de plástico são feitas a mão.

Com relação aos controles, ele possui um knob de LEVEL, um de DRIVE e um de TONE. O OD-3 possui uma saída bem alta, podendo ser usado como boost. Contudo, não espere aquela saída demolidora de pedais dedicados de boost. A saída é acima da média, mas não é absurdamente alta. Com relação ao TONE, gosto bastante dele. O OD-3 é meio ardido, mas o TONE funciona muito bem e realmente faz muita diferença, conseguindo escurecer ou clarear bem a equalização do pedal, atuando na faixa de freqüência certa. Em relação ao DRIVE, o OD-3 não fica totalmente limpo, o que é uma pena. Mesmo com o DRIVE no zero, existe um crunch bem razoável no som. Com o DRIVE no máximo, ele pode ficar bem agressivo, lembrando alguns sons do Gary Moore.

Bem, vamos ao que interessa: o som! O OD-3 tem a proposta de ser um overdrive que simula sons de amplificadores valvulados. Isto não é nada demais, pois toda a torcida do flamengo dos pedais afirma ser capaz da mesma coisa. Contudo, o OD-3 vai bem mais longe que a maioria dos overdrives que conheço. Grande parte dos overdrives, devido aos semicondutores presentes para amplificar e clipar o sinal, apresentam uma clipagem que gera o famoso timbre “abelha”. O OD-3 não é assim. Ele possui o timbre bem comprimido e não tem aquela aspereza típica dos pedais de overdrive e amplificadores transistorisados.

Deixo claro aqui que o ponto forte do OD-3 são seus overdrives de baixo ganho. Com baixo ganho ele possui uma clareza e transparência fora do comum. Você sempre escuta o som de sua guitarra. Se quiser o estalo típico da Telecaster ou o som rasgado das Les Paul´s, sem problemas com ele. Se você toca acordes abertos, com cordas soltas, você escutará aquela complexidade tipo “sino” nas pontas do seu som. Com o DRIVE acima de “meio dia”, o OD-3 não é tão brilhante assim. Ele começa a perder a definição de graves (já ouviu aquele som de válvula fritando devido ao alto ganho do pré?). Contudo, ainda é um bom pedal, mas eu quase não o uso com o DRIVE bem forte, muito menos com ele no máximo. Como boost ele é legal também, mas apenas legal. Para isso considero o Tube Screamer e o SD-1 melhores.

Eu já tive dois Tube Screamer´s, Blues Driver, OD-1, OD-1, SD-1 (da BOSS), Daddy´O, da Danelectro, Guv´nor, Jackhammer e Bluesbreaker, da Marshall, tenho um Direct Drive e um Ltd, da Barber, dentre outros overdrives, e confesso que o OD-3 não fica devendo nada aos pedais citados. Embora não sejam iguais, ele se parece muito em ganhos baixos com o Ltd Silver, da Barber, e acho que vale apena compará-los, já que o Ltd é tido como referência de ganhos baixos e custa mais caro. O Ltd tem mais saída, fica totalmente limpo com o DRIVE zerado, mas não tem tanto ganho quanto o OD-3. Além disso, o TONE do OD-3 funciona melhor que o do Ltd (que é quase inútil). O OD-3 tem um pouquinho mais de médios, e eles são igualmente transparentes. Mas, com pouquíssimo DRIVE, ainda acho o OD-3 um pouquinho melhor que o Ltd. Mas isso é puro gosto, pois são dois excelentes pedais. Com relação ao TS9, o OD-3 é muito mais transparente, dinâmico e pontiagudo em termos sonoros. O TS9 é mais macio, e tem mais médios. Pro meu gosto, que adoro o timbre de guitarristas fusion como Greg Howe e Scott Henderson, o OD-3 se encaixa muito melhor. Ele responde melhor aos ataques da palheta, ao botão de LEVEL da guitarra e soa mais valvulado que o TS9.

Então vai minha dica: pra quem tem pouca grana e quer um overdrive de baixo ganho com sonoridade complexa e dinâmica, o OD-3 cai como uma luva. Já testei muita coisa cara, mas muita mesmo ao lado dele, e ele sempre se mostra excelente. Compre um e se surpreenda.

Os sons demonstrativos gravados foram obtidos através de uma Stratocaster de luthier, com corpo em mogno, braço em marfim e escala em jacarandá. Ela possui captadores Hot Noiseless, da Fender, no meio e no braço, e um Kent Armstrong mini-hambucking na ponte. Todos eles foram gravados com os knobs de TONE e LEVEL do OD-3 na metade. A posição do knob de DRIVE está especificada no nome de cada som. Os sons foram obtidos rapidamente apenas plugando a guitarra no OD-3 e depois em um direct box, indo para uma péssima placa on board que tinha a disposição. Os sons devem ser encarados apenas como um simples demonstrativo do estilo do pedal e podem ser baixados no link http://www.4shared.com/file/29286596/e0fea95a/OVERDRIVE_BOSS_OD-3_-_Diogo_Felipe_de_Aguiar.html?dirPwdVerified=7a2db832.

Leia mais
Página Anterior Próxima Página