QUE PORRA É ESSA? - Booster

27 de ago. de 2012 |

QUE PORRA É ESSA? – Booster (Charles Fernandes)

Há tempos já tem me dado vontade de falar sobre Boosters, não pela complexidade do equipamento, mas exatamente pela sua simplicidade, e por ser tão incompreendido pelos guitarristas;  o booster não atua diretamente, ele é um meio de campo, ele desenvolve idéias, mas nunca as realiza. Neste sentido, o booster não pode ser lido fora de um contexto, se não é apenas um pequeno equipamento de pré-amplificação, igual a vários que temos no nosso set.

Inicialmente acho importante definir um conceito, voltado a som limpo e ao som saturado, sujo, distorcido, alterado:

HEADROOM (WTF ???? )

Todo equipamento de amplificação possui um range de trabalho, uma zona onde é capaz de REPRODUZIR o sinal apenas aumentando sua intensidade e mantendo as características de timbre e spectro de freqüências. Após atingir este LIMITE de TRABALHO, o equipamento não consegue reproduzir o som com perfeição e passa a alterar as características do sinal, distorcendo-as. Esta linha de limite de incremento de intensidade é chamada de HEADROOM, o ponto onde o equipamento não é mais capaz de produzir som limpo, perfeito, ou pelo menos com características iguais entre input e output, exceto pela intensidade.

Eita, mas e daí? Qual a vantagem de se trabalhar com som distorcido? Porque não usar um som reproduzido perfeitamente?

Intuitivamente o guitarrista sempre foi tentado pela distorção, mesmo sem entender como funciona, pois as mudanças geradas pelo som saturado trazem ferramentas interessantes de timbre e técnica. Ao iniciar a distorção, o equipamento cria um limitador de intensidades, que de forma abrupta (hard clip) ou mais suave (soft clip), estabelece uma taxa de compressão,  melhorando o sustain, diminuindo a dinâmica e aumentando a intensidade de harmônicos, deixando-os mais evidentes, inserindo brilho.

Esta distorção pode ser forte e alterar muito as características do sinal, ou se apresentar de maneira sutil, mais transparente, apenas criando CALOR, PESO, TEXTURA... palavras abstratas, sim, para falar de um uso ligado a sensibilidade do guitarrista.

E o booster, onde entra nessa história ?

Pois é, o booster é o equipamento que vai levar seu amplificador ou distorção a ULTRAPASSAR o headroom, iniciando uma saturação, ou aumentar a taxa de distorção, aumentando a intensidade do sinal. Costumo dizer que um booster é um botão de GAIN fora e antes de um equipamento de amplificação.

Uma outra leitura EQUIVOCADA e que dificulta o entendimento do booster é:

“O Booster antes de uma distorção aumenta o Gain e depois dela aumenta o Volume.”

ISSO ESTÁ ERRADO!!!!!! Não funciona em 100% das utilizações. O correto seria falar:

“O Booster antes de uma distorção aumenta o Gain, e depois dela, irá influenciar o equipamento seguinte da cadeia.”

NA PRÁTICA, vou apresentar situações possíveis para uso de booster, e para tanto, acho fundamental fazer a leitura das opções DO FIM PARA O INÍCIO da cadeia de efeitos, pois as perguntas mais comuns vêem da falta de um panorama do equipamento usado.

Antes do POWER do ampli, no send/Return, pode-se usar boosters que possuam grande capacidade de alteração de intensidade, pois o sinal já está pré amplificado, ou alterar o level de output de um processador de efeitos posicionado no loop. Isso vai agir conforme as características do power do ampli e sua taxa de trabalho; se for um ampli de grande headroom, você vai promover um aumento de volume, de nível de intensidade sonora, e não terá distorção; mas se seu ampli já estiver FRITANDO o power, será como jogar batata no óleo (será que fui claro? Hehehe).

Antes do PRÉ amp, no INPUT do amplificador, você tem uma ação muito usual e que proporciona grande evidência do booster, pois em geral este estágio do amplificador distorce facilmente.

Antes de uma Modulação ou Delay você pode alterar o Mix, depht ou algum outro parâmetro, podendo até gerar distorção, que em geral não será muito interessante pois estes equipamentos não foram projetados para esta função. Portanto, se deseja alterar o pré do amplificador, e não os efeitos, use o booster exatamente como último pedal da cadeia.

Antes de uma distorção, outra forma muito usual, o booster gera a ação mais clara do equipamento, pois controla exatamente o ganho desta distorção.

Nesta posição, ou em qualquer outra posição onde o incremento de intensidade proporciona maior taxa de saturação, podemos usar um booster que possua algum controle de equalização, em uma função adicional, desejadíssima, chamada de Tone Shaper, ou “formatador de tonalidade/timbre”. O controle individual de graves e agudos antes de um drive pode incentivar ou atenuar a distorção por banda de freqüência, deixando parte do spectro passar mais limpa (sem saturação) ou mais distorcida, alterando drasticamente as características do equipamento.

Boosters Saturados também são interessantes, pois somam, nos equipamentos a sua frente, compressão e distorção próprias, criando novas taxas e características.

Fechando o raciocínio, e aproveitando para falar de um equipamento com ação exatamente oposta ao booster, vamos situar o PEDAL DE VOLUME neste contexto. Assim como o booster, ele altera a  intensidade de sinal, mas sempre reduzindo e TIRANDO saturação ou volume do equipamento À SUA FRENTE, com o intuito de limpar o som ou reduzir seu volume. Se você entendeu o conceito de booster, facilmente irá entender as diferentes  funções do pedal de volume no início ou no final da cadeia.

Muitos guitarristas usam um conceito interessante de regulagem, chamado de SWEET SPOT, onde regulam as intensidades dos equipamentos em níveis agradáveis de saturação, criando um ponto ideal de compressão, e que é alterado com boosters, pedal de volume ou simplesmente com o potenciômetro de volume da guitarra, limpando ou sujando ao seu gosto.

Passando a régua no assunto, eu afirmo que saber usar um booster é necessário até para quem não o usa, pois é uma forma de observar como seu equipamento se comporta em diferentes situações. Mais ainda, para saber usar um booster é necessário que se conheça o próprio equipamento, as taxas de trabalho de seu amplificador, tanto de pré como de power; de seus pedais de efeito e distorções; ou seja, usar boosters faz você pesquisar mais sobre seu próprio equipamento e descobrir suas potencialidades, seus pontos fracos, enfim, criar intimidade com o que é seu.

Epílogo:

Para quem não sabe, o “Que porra é essa?” é escrito à 4 mãos, ou eu iniciando a discussão e o Milton complementando, ou com o redator da Toca me instigando a escrever com seus textos interessantíssimos. Mas confesso que agora eu gritei TRUCO antes, pois nem imagino a profusão de idéias que passa pela cabeça do cara agora, para gravar suas distorções sempre ricas e bem setadas.  Confesso-me curioso com a próxima parte do texto e os samples certeiros do chefe. Da-lhe Miltão.

 

E o caminho da prática, qual é? (Milton Morales)

BoosterBom, de posse da pelota passada pelo Charles, só o que posso dizer é que farei o melhor possível… hehehe

… e digo isso por uma série de fatores: 1) falar sobre booster na prática envolve em grande parte experiência prática, ou seja, não dá para abordar tudo, a não ser aquilo que envolve a experiência do músico, no caso, eu… portanto, a minha abordagem partirá basicamente da minha experiência no assunto… é muito complicado falar de boosters, com alguma propriedade, na seara da tese e hipótese… o melhor a ser dito está naquilo já experenciado… pelo menos é isso que acho e que procurarei fazer nos vídeos abaixo…

… 2) uma vez que prometi ao pessoal do grupo da Toca dos Efeitos no Facebook que colocaria esse material no ar nessa semana, precisei produzir o material multimídia em pouco tempo e com poucos recursos… por essa razão, foram gravados 3 vídeos, sendo que o último visa aparar arestas dos 2 primeiros, já que muita coisa ficou vaga no pouco tempo e preparo para gravar esse material… assim sendo, peço que todos vejam os 3 vídeos, pois um é fundamental para o entendimento do outro…

… 3) ainda relativo aos vídeos, uma coisa que certamente atrapalhou o resultado final foi a forma como o microfone da minha câmera captou o som, cortando alguns picos e dificultando a percepção de alguns elementos de fácil observação, como por exemplo o aumento de volume com um booster limpo depois de uma saturação… ao vivo, a diferença era absurda, no vídeo ela quase não existe… e assim como nesse caso, algumas nuances de booster de freqüências e afins ficaram prejudicados… assim sendo, peço o máximo de atenção dos amigos nos detalhes e que dêem um desconto nos casos em que aquilo que se tentou demonstrar não ficou devidamente demonstrado… nesse casos, tomara que as explicações sejam suficientemente interessantes…

… 4) por fim, a grande dificuldade está em tentar produzir material que acompanhe a grande qualidade do texto escrito pelo Charles… minha recomendação é que todos procurem extrair o máximo desse texto, pois ele é muito bom e muito claro acerca do tema…

… de resto, meus amigos, vamos aos vídeos…

… os 2 primeiros, especialmente, têm problemas de captação de algumas nuances quando toco alguns sons, mas acredito que o maior valor do material está na experiência que procuro dividir sobre o tema… creio que nisso está o maior valor do material que produzi… espero que vocês achem o mesmo… ;]

Abraços e até a próxima…  ;]

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QUE PORRA É ESSA? – Chorus

15 de mai. de 2011 |

QUE PORRA É ESSA? – Chorus (Charles Fernandes)

Depois de falar do phaser, o chorus é mais um equipamento de MODULAÇÃO abordado pela Toca dos Efeitos. Bem, acho que já está na hora de você entender o que é modular, ou vai ficar ouvindo isso até se tocar que é uma ferramenta de efeitos que cria toda uma família com características próprias.

(Não serei repetitivo, mas dêem uma lembradinha nas explicações sobre Comb filter e Doppler que são fenômenos acústicos que abordamos no texto anterior - phaser, e que geram cancelamentos e desafinações naturais no som. Será difícil ir adiante sem conhecer a ação deles, pois as modulações, basicamente, imitam estes efeitos de acústica como modificadores de timbre).

O que é Modular? PORRA, o que é uma Modulação?

Modular é modificar, mas não apenas modificar: é fazer isso constantemente. Os equipamentos de modulação podem, de várias formas, modificar o timbre original, desafinando, oscilando ou cancelando, usando um LFO (low frequence oscilator) no som para que algum parâmetro varie constantemente. Apenas variar, ou seja mudar, não cria efeitos de modulação, é necessário que seja constante, pois dentro de um som existem vários comprimentos de onda, e cada freqüência precisa de determinado “ponto” para criar um efeito. O LFO corre o som com várias regulagens de um mesmo parâmetro para que ele atue em todo o som, ou seja, em todo o spectro produzido pela guitarra.

Se você tem delay analógico, o experimento é simples: enquanto toca, altere o tempo do atraso, pois você criará uma desafinação, um DOPPLER, usado na criação de vários efeitos de modulação como o Phaser, o Chorus e o Vibe. Mas quando pára de rodar o knob, o som volta a ser delay, ou seja, é a alteração constante dos parâmetros que gera os efeitos de modulação.

AGORA SIM... definindo modulação podemos definir o Chorus...

Porra, e o Chorus? Que é isso?

Chorus significa Coral, ou seja, duas ou mais vozes fazendo o mesmo som; digamos, tentando fazer o mesmo som, pois existem diferenças de timbre e de técnica que impedem os cantores de fazer vozes idênticas. Existirão no mínimo 3 variações entre as vozes, uma ligeira desafinação, ou vinda da técnica, ou das diferentes distâncias dos cantores até o ouvinte (Doppler); além do tempo de execução e timbre do cantor. A soma destas vozes diferentes criará um ENSEMBLE (Soma de Conjuntos físicos), que podemos entender como CORAL.

 

Para exemplificar, não poderia deixar de falar dos backing vocals de samba de roda, que por levarem o público a cantar em uníssono, são ótimo exemplo de chorus. No vídeo abaixo, em grande forma, o Maestro Benito de Paula (em homenagem ao autor deste texto) executa a linha vocal, e o público, junto dos backings, repete o refrão, que soa como coral.

 

Agora substitua a voz humana por instrumentos de corda, e as diferenças serão as mesmas: desafinação, tempo e timbre. Pode-se notar suaves oscilações e um timbre geral ligeiramente diferente do som de um instrumento somente, como se estivéssemos ouvindo o som dentro da concha de um caracol.

 

E finalmente, na GUITARRA elétrica, um abençoado teve a idéia de IMITAR este fenômeno acústico e desenvolveu um equipamento que altera o sinal eletrificado seguindo o mesmo raciocínio.

Tecnicamente, o chorus para guitarra duplica em paralelo o sinal da guitarra (splita), deixando um sinal passar sem alteração, que é chamado de DIRECT SOUND; o outro sinal recebe, primeiramente, um delay de menos de 50 ms, que faz com que o sinal splitado descole do original para poder ser entendido separadamente. Este delay, então, é MODULADO entre 0 e 50ms, gerando um doppler, desafinando o som, que muitas vezes altera o timbre, dependendo do equipamento utilizado, aumentando ainda mais o efeito de chorus.

Basicamente, o chorus é muito semelhante ao phaser, mas no chorus não se chega a proporcionar comb filters tão proeminentes, chegando apenas a imitar um leve doppler.

Neste vídeo você pode ouvir o Coral de uma só guitarra usado em “Come as you are” do Nirvana.

 

As diferentes marcas e modelos de chorus se baseiam nestas diretrizes, mas os diferentes componentes, seus valores e os parâmetros de intensidade e velocidade geram variados timbres entre eles.

Resumidamente, e simplificando ao máximo a explicação acima, o chorus foi criado para você não ter que aturar um segundo guitarrista imitando o que você toca, afinal de contas, um segundo guitarrista irá criar uma excentricidade na rotação do mundo (hehehe).

O chorus, assim como um possível segundo guitarrista em sua banda, pouco seria útil em solos, pois, em geral, é a hora da nitidez, mas é amplamente aplicado em bases e acompanhamentos.

Como exemplo final, vamos dar uma olhada na Orquestra de um só guitarrista para ver como ele usa seu chorus, aliado a delays, criando a sensação de múltiplos músicos.

 

Como nota de encerramento da parte explicativa do texto, posso afirmar que a técnica do chorus é muito mais complicada que sua utilização. Em geral as modulações são assim mesmo, mas devemos ter uma chave na cabeça, ligando o pedal a uma intenção, e sempre que aparecer esta intenção, intuitivamente o pé vai acionar o efeito. Para mim as palavras que vem a cabeça quando preciso acionar o chorus são DUPLICIDADE, PREENCHIMENTO, BRILHO, enfim, tudo que você ganharia se tivesse um segundo guitarrista te imitando.

 

E o caminho da prática, qual é? (Milton Morales)

A pergunta é bastante pretensiosa, ainda mais se alguém achar que tem condições de indicar um caminho apenas… ledo engano, que não procurarei cometer…

… de qualquer forma, para poder trazer à baila a minha experiência com chorus, e formas de usá-lo, creio que seja interessante entender/distinguir como soa um chorus, não é verdade?… eventualmente, ainda mais para quem é iniciante, é difícil saber o que é e como soam determinados efeitos… portanto, vamos conhecer como um chorus pode soar…

… no primeiro exemplo, procurei gravar um sample com o chorus em aplicações com a guitarra limpa, que vão de timbres bastante comuns de chorus, à um pouco de vibratos, abusando do controle de velocidade… adianto que na gravação foi usado um chorus simples, apenas com ajustes de velocidade (SPEED) e profundidade/intensidade (DEPTH)… ao final da audição, será possível concluir uma em duas possibilidades: 1) que o efeito de chorus não é um bixo de sete cabeças; ou 2) que o músico que toca é bastante limitado… espero que concluam pela primeira opção… hehehe ---

… se existe algo que a Toca procura estimular é que se mexa/fuça/gire a porra dos knobs dos seus pedais… procure conhecer todas as possibilidades que o seu pedal oferece, antes de pensar em comprar outro (fato comum entre os guitarristas… inclusive eu… hehehe)… apesar disso, alguns efeitos são, na minha opinião, muito diretos, e entre esses coloco o chorus… é claro que dependendo do modelo é possível filtrar frequências, ou mesmo ter timbres diferentes, entretanto, até o momento que escrevo esse texto, nunca encontrei, nos diferentes pedais que já passaram pelos meus pés, opções de uso muito diferentes que estas ouvidas no sample acima… sim, é possível explorar a velocidade do efeito, e conseguir um resultado diferente do usual, como na última parte do audio, mas em se tratando de aplicações/possibilidades, os caminhos são mais ou menos esses… se isso é ruim? Absolutamente não, tanto que o efeito de chorus é um dos mais vistos nos pés dos guitarristas… agora, da mesma forma é um efeito usado quase sempre com a mesma finalidade, o que significa que o diferente, no frigir dos ovos, será sempre o timbre do chorus: alguns terão um timbre mais gordo, e menos brilhoso, como o Danelectro Cool Cat, ou o EHX Small Clone, usado no vídeo acima, do Nirvana; outros terão mais presença, especialmente de agudos, como o clássico BOSS CE-2… portanto, o meu conselho é procurar o timbre de chorus preferido, porque isso será o determinante no efeito, e nem tanto o alcance de profundidade ou de velocidade, ou as possíveis aplicações que eventualmente um ofereça, e outro não, o que, em se tratando de chorus, é algo raro…

… outra forma muito interessante de usar o chorus é com distorções… aqui, penso eu, controles extras de LEVEL e TONE ou FILTER (filtro de graves e agudos) podem ser muito bem vindos, até para evitar que não haja um boost de volume demasiado quando o chorus for acionado, ou mesmo graves ou agudos que possam acabar descaracterizando o timbre da distorção… seja como for, a questão preponderante aqui é a posição do chorus, se colocado antes ou depois da distorção… para mostrar os diferentes comportamentos deste efeito antes ou depois, segue um sample onde é usado o chorus com distorção, gravado da seguinte forma: riff –> riff com o chorus antes da distorção –> riff com o chorus depois da distorção ---

… como comecei o texto escrevendo que não cometeria o erro de tentar dizer que há um caminho apenas para usar o chorus, insisto que qualquer palavra escrita aqui são as minhas conclusões acerca do efeito, mas não são, em hipótese algum, retrato de uma verdade universal… quem acha o efeito de chorus direto sou eu… pode ter quem ache que não… quem acha que as possibilidade de aplicações são mais ou menos as mesmas entre as opções do mercado, sou eu… pode ter quem ache que não… enfim, o importante é não se limitar às minhas experiências, nem as de ninguém… procure fazer a sua experiência a partir de experimentações… das minhas, posso dizer que acho o efeito de chorus bastante interessante, especialmente com drives/distorções… quando comecei a tocar, usava o chorus basicamente para dar uma cor diferente aos timbres limpos… hoje, podendo, prefiro usar outros efeitos, como flanger, phaser ou tremolo, ou até mesmo explorar melhor bons reverbs, sem nenhuma outra modulação… entretanto, para elaborar riffs distorcidos, tenho achado o chorus uma ferramenta muito interessante, que permite colocar uma dimensão diferente… se tivesse de achar um adjetivo para o que eu geralmente procuro quando uso um chorus, seria dramaticidade: quero que o chorus insira essa sensação ao som… portanto, experimente, você pode se surpreender… ah, e só para constar, gosto de usar o chorus depois das distorções…  ;]

… por fim, meus amigos, agradeço mais uma vez a participação do Charles, que sabe muito do riscado e que se dedica de verdade para fazer textos dessa qualidade para todos nós… e espero todos de volta em breve, quando postarei mais um review…

… afora isso, reforço que todos solicitem entrar no mailist da Toca, pelo email tocadosefeitos@yahoo.com.br , pois além da praticidade de receber por email avisos das novas publicações do blog, você fará parte da lista VIP da Guitar Mind, que traz ofertas e promoções exclusivas… NÃO PERCAM!!!

Abraços e até a próxima… \m/

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QUE PORRA É ESSA? – Phaser

28 de mar. de 2011 |

Prezados,

Mais uma vez peço desculpas por não ter publicado esse texto nos prazos informados antes, mas isso se deu única e exclusivamente por impossibilidades minhas… a última, uma gripe forte, mas que não impediu de, enfim, publicarmos essa “porra”… hehehe

… e vamos aos trabalhos…

 

Breve Introdução…

Pessoal, como colocado em outras oportunidades, a idéia desta seção veio muito mais pelos contatos recebidos por emails, que mesmo pelas dúvidas que o pessoal deixa através dos comentários… o porque disso, eu não sei… sei, entretanto, que é fato recorrente a dúvida de como soa tal efeito; ou de como é possível usar aquele efeito; ou onde colocar essa modulação; enfim, são todas dúvidas comuns, especialmente quando a empreitada está começando… mas nem só quando começa… às vezes ela já começou, mas esquecemos de algumas coisas, não é verdade? Portanto, para ajudar iniciantes e experientes é que hoje começa a seção QUE PORRA É ESSA?, que visa abordar com detimento os tipos de efeitos, e não apenas as opções que o mercado oferece, como normalmente acontece num review…

… para tanto, convoquei grandes caras para me auxiliar, diria até me ensinar a coisa toda, uma vez todos sabem muito mais do que eu… honestamente, acho que sozinho não faria um material tão interessante quanto o que será possível apresentar quando feito à quatro, seis, ou quiça oito mãos…

… como colaborador fixo/oficial dessa seção, convidei o mestre Charles Fernandes… desde que comecei com o vício por efeitos de guitarras e afins, confesso nunca ter conhecido alguém que conhecesse tanto das profundesas de cada efeito… o Charles costuma ter do seu lado, afora a percepção de músico, o conhecimento mais técnico acerca do funcionamento do efeito… isso é física? Sim, claro, é física, mas a idéia não é dar uma aula de física, mas sim mostrar como ela pode ser útil, ou melhor dizendo, como a compreensão do efeito pode clarear o entendimento do uso do efeito, ou mesmo para achar um efeito para trabalhar melhor um lick novo, ou etc…

… enfim, deixemos de lado as explicações e vamos ao que interessa… ;]

 

QUE PORRA É ESSA? – Phaser (Charles Fernandes)

Não existe expert nato, isso eu sempre soube. Em algum momento todos já se depararam com questões simples, que nos levam a questões cada vez mais elaboradas, culminando até na possibilidade de algo inusitado. Em resumo, a dúvida constante pode ser o maior combustível da criatividade.

Então vamos lá: Que porra é essa? Phaser!

Quem criou o Phaser?

Provavelmente o Big Bang, quando iniciou o universo, criou as leis da física, e por conseqüência 99% de todos os efeitos utilizados em guitarra... (os 1% restantes podem ser atribuídos ao Sergio Dias e ao Jimi Hendrix).

Sim, na natureza conseguimos observar a grande maioria dos efeitos utilizados em guitarra, o que nos leva a crer que os nossos ancestrais tocadores de 6 cordas eletrificadas não eram assim tão criativos. Engano seu! As soluções para criar efeitos similares aos achados em diferentes ambientes acústicos são muito elaboradas.

Vamos tentar entender de onde veio a demanda original ao efeito phaser:

Você já ouviu um órgão de tubos? Dentro de uma igreja? Se não teve esta oportunidade, corra enquanto existem alguns:

Observem esta fonte de som móvel, pois o som sai de múltiplos tubos, em diferentes distâncias do ouvinte, que reflete nas paredes da igreja, em diferentes pontos e em diferentes tempos, e retorna ao ouvinte em uma profusão tridimensional de sensações sonoras. Por si só esta experiência já seria ponto de início para várias possíveis invenções, como reverbs, delays, chorus, phasers, todos gerados de maneira puramente natural, através de um elemento vibratório muito singular, propagando ondas sonoras em um ambiente acústico peculiar.

Mas tudo ao seu tempo. Vamos começar pelo phaser.

Este efeito é gerado pela capacidade do som de se anular, criando um oposto, invertido, fora de phase, faseado.

Lembrem que o som é uma onda, e como toda onda possui a crista, onde se surfa, e o buraco, onde se leva o caldo; a parte de cima e a de baixo; a phase positiva e a phase negativa. Se você conseguir copiar um som, inverter a phase e acrescentar ao som original, ele se anula e nada você ouvirá.

Acontece que cada freqüência possui seu comprimento de onda, ou seja, seu período, quantas cristas e buracos pode gerar por segundo (se formos adotar Hertz como unidade). Isso dificulta muito essa história de inverter a onda para cancelar a phase.

Vamos então observar um efeito existente na natureza que cria estas anulações e que chamamos de Comb-filter, ou efeito pente. Este efeito cria atrasos mínimos suficientes para alterar as phases das ondas e anular “parte” do spectro sonoro (entende-se spectro sonoro a soma da freqüência original, fundamental, sempre mais grave da série, e de todos os harmônicos, mais agudos, que ressoam em conjunto). O Comb Filter pode ser gerado, por exemplo, num ambiente onde o reverb é rico, como em uma igreja, onde existem superfícies irregulares que refletem o som com milésimos de segundo de diferença e podem inverter a phase do som ao refletir. Ao somar com o som refletido na superfície ao lado, ou mesmo com o som original, o Comb filter pode apagar partes do spectro criando oscilações.

O som em movimento também cria outro efeito imitado no phaser, chamado de Doppler, que é a alteração da freqüência em função do movimento, e é exemplificado pela Kombi do seu Juvenal da feira, que sempre passa em frente de casa buzinando: dá pra saber a velocidade e a distância pois a buzina sempre começa aguda e fica mais grave ao ir embora. Estas alterações podem promover Comb filters ao se somar com reflexões.

Estes efeitos acústicos são a base do phaser.

Historicamente falando, uma das primeiras tentativas de se criar Comb Filter e Doppler em um equipamento de utilização musical foi feito por Don Leslie, quando criou a caixa que acompanhou os famosos órgãos Hammond, utilizados para substituir os pesados órgãos de tubos, e que depois ficaram conhecidas pelo nome de seu criador: Caixas Leslie. Basicamente possuem um falante e uma corneta fixos, com profusores giratórios que jogavam o som em 360o, proporcionado as desejadas reflexões de um som em movimento.

Muito tempo depois, com a invenção de osciladores eletrônicos, foi possível dividir o sinal captado por um instrumento musical eletrificado, passar a cópia por 1 delay de tempo mínimo (oscilando entre 1 a 10 milisegundos, dependendo do comprimento de onda que se deseja anular) e, ao se somar ao som original, promover comb filters. Essa ação é feita várias vezes em série para criar o efeito desejado. Ao se modificar a velocidade que o delay percorre os tempos necessários para anular todas as fases de determinado spectro, e a intensidade destas cópias, pode-se criar parâmetros para controlar o efeito resultante.

Na prática, o phaser é aquela, e exatamente aquela, oscilação que temos na hora de afinar a guitarra, disponível dentro de um pedal de efeito, com timbres próprios vindo de variações nos valores dos componentes utilizados para copiar, alterar e somar os sinais captados pelo instrumento.

A oscilação pode ter vários parâmetros, entre os quais os mais usados são:

Rate ou Speed: Determina a velocidade da oscilação

Range: Determina as freqüências que irão anular, e altera o timbre o pedal

Depht ou Intensity: Altera a Intensidade da Oscilação

Os pedais mais clássicos são o Phase 90 da MXR e o Small Stone da Electro-Harmonix, cujo timbre é apreciado pelos guitarristas mais experientes, mas existem inúmeros modelos e marcas similares, inclusive efeitos de modulação parecidos, como o ring modulator, que usam as mesmas bases acústicas e físicas, mas de formas alternativas.

 

MAS COMO EU USO ESSA PORRA? (Charles Fernandes)

Não me sinto a vontade em falar de sons que não faço,  portanto selecionei trechos de sons do repertório de minha banda, para falar da necessidade que tenho no momento que aciono o phaser em meu pedal board.

Uso uma posição muito peculiar, não muito usual, no meu board, colocando o phaser antes das distorções, para deixa-lo mais discreto, e fazer oscilar o ganho do drive se necessário; para quem gosta de um phaser mais “na cara”, use-o depois das distorções.

Para ser bem direto, uso o Phaser para ABAFAR, EMBOLAR,OSCILAR e TIMBRAR, cada um com uma regulagem, posição ou parceria com outros efeitos no meu set. Passarei as minhas intenções diretamente nos exemplos a seguir:

Pink Floyd / Money: sample interessante pois após o solo, o Gilmour retira o Fuzz de silício e o Phaser,  deixando somente a guita e o amplificador. Quando faço este som uso uma Fender Stratocaster com singles originais, e minha primeira necessidade é abafa-la e fazê-la perder o excesso de agudos para este som, usando o Fuzz e o Phaser com oscilação no zero; isso tbm faz timbrar deixando um leve som phaseado retirando palhetadas e dinâmica deixando o som próximo ao de um teclado ---

Van Halen – O uso de drives com mais ganho trás sempre os agudos a tona vindos de harmônicos levantados pela distorção e compressão, e o phaser pode ser uma boa opção para abafar um pouco reduzindo excessos. O timbre abafado permite o aumento do ganho e permite alguns malabarismos técnicos próprios do EVH ---

The Cult / She Sells Sanctuary – Neste som o delay analógico curto e forte é a alma do Riff. Na intro do som adiciona-se um Phaser sem oscilação apenas para embolar e timbrar, como se estivesse com o pedal de Wah acionado e parado em determinado ponto ---

Essa utilização do phaser somente para timbrar é uma boa alternativa para os guitarristas que usam o Wah ligado direto nos solos. É mais cômodo pois não há a necessidade de se posicionar o pedal no timbre desejado. Assim como o phaser pode substituir um wah para timbrar, ele tbm pode chegar perto de alguns efeitos como o Flanger e o Trêmolo, e substituí-los em pedalboards menos completos. No caso do pedalboard que uso regularmente, não possuo um Flanger, justamente por achar que o phaser o substitui com plena satisfação.

Abaixo destaco exemplos de substituições possíveis de Flanger para Phaser que executo com meu equipamento:

Doobie Brothers / Listen to the music :  Esse uso do Phaser, substituindo o Flanger, é um dos mais interessantes e enfáticos pois a oscilação aparece bastante, mas bem lenta. Desta vez o phaser abafa as guitarras limpas e oscila, dando uma ótima timbrada que tira a monotonia da guitarra limpa na base ---

Heart / Barracuda : Abafa, embola, oscila e timbra, quer mais modulação que isso? No sample do som original é usado um Flanger, mas pode-se, tranquilamente, fazer com um phaser ---

Fechando o texto com substituições, pregamos a ausência de preconceitos em nosso set, Phaser fazendo papel de Flanger, Fuzz ajudando um Crunch, enfim: primeiro entenda como o efeito funciona, e depois utilize-o em todo lugar que achar necessário, absolutamente sem regras ou receitas de bolo. E este é o propósito desta coluna aqui na Toca dos Efeitos.

 

E COMO SOA ESSA PORRA SOZINHA? (Milton Morales)

Complementando esse excelente material escrito pelo Charles, achei que seria também elucidativo mostrar como o phaser soa, mas neste caso 1) só com a guitarra; e 2) quando colocado antes ou depois do(s) pedal(is) de saturação (overdrive e distorção)…

… no sample que segue, a guitarra está com o timbre limpo, e a cada pouco a velocidade do efeito é aumentado… peço que se preste atenção a cada vez que é tocado o lick com uma velocidade diferente, para que seja possível perceber o que o efeito pode oferecer ao seu som… perceba como o efeito com bastante velocidade oferece certa dramaticidade, sendo possível criar texturas/climas usando um efeito bastante simples ---

… uma dúvida muito comum acerca do phaser é quanto a posição dele na cadeia de sinal: se antes ou depois das saturações… isso vai muito do gosto de cada um, de como cada um prefere usar o efeito… no meu caso, por exemplo, gosto de usar o phaser para dar um molho às bases com distorções, ou mesmo nos solos, assim como faz o EVH… para tanto, coloco o phaser antes das saturações… tem, entretanto, quem prefira ter um phaser mais presente, mais forte, com uma modulação mais marcante… esses, por sua vez, colocam o phaser depois das saturações… para que seja possível entender a diferença entre colocar o phaser ou antes ou depois, o sample que segue mostra isso, com licks diferentes, todos tocados com o phaser antes (na primeira execução do lick) e com o phaser depois (na segunda execução do lick) ---

 

Por fim, meus amigos, espero que todos tenham gostado do primeiro texto do QUE PORRA É ESSA?… desde já quero registrar meus agradecimentos pela grande ajuda que o Charles deu, nos propiciando um ótimo texto sobre phasers…

… e não percam o próximo texto, que será publicado no dia 15/04, a princípio… hehehe

Abraços e até a próxima… ;]

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