O que era bom, “parece” ter ficado ainda melhor…

1 de ago. de 2011 |

Antes de mais nada, meus amigos, peço desculpas pelas postagens fora das datas determinadas, bem como do “esquecimento” do QUE PORRA É ESSA?… tudo tem uma explicação, mas o mais importante é que em agosto as coisas começarão a voltar pro lugar…

… seja como for, o importante é que sempre tem tido alguma coisa nova no blog, então, não há justificativa para não ficar antenado na Toca… hehehe

DLS3… bom, o que me traz é a notícia, nem tão nova assim, que a Catalinbread deu um “upgrade” no Dirty Little Secret, lançando o Dirty Little Secret MKII…

… qual a grande diferença do MKII para o primeiro modelo? Bom, a mudança mais consistente fica na retirada da chave Rock/Rawk, e a inclusão de um controle duplo de tonalidade com os controles de PRESENCE (agudos) e FULLNESS (graves), que não tinha antes, quando só havia o controle de TONE…

… ainda, segundo o site da Catalinbread, há um melhor acabamento e estruturação do timbre do pedal… segundo algumas entrevistas do técnico da empresa, foi possível fazer um “refinamento” do timbre que a primeira versão tinha, deixando o pedal com “comportamentos” similares ao de um amplificador Marshall, além da tradicional “saturação característica” que a marca tem, e que outros pedais também oferecem…

… eu fiquei bastante empolgado com o lançamento, pois, e quem acompanha o blog sabe disso, eu sou fã confesso desse pedal…

… agora, não tenho mais nada além dessas informações, infelizmente, inclusive porque existe pouquíssimo material do pedal… portanto, vejam os vídeos abaixo e tirem suas próprias “conclusões preliminares”… ;]

Abraços…

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DICA DA SEMANA

15 de jul. de 2011 |

Fazendo um gancho com a postagem passada, achei que seria interessante trazer para o blog como o Joe Bonamassa constrói os timbres dele, o que usa e como gosta de usar seus equipamentos…

… felizmente, é possível entender tudo isso a partir de algumas realmente boas entrevistas que ele deu para alguns canais especializados… nem sempre as matérias/entrevistas são boas assim, sem falar dos casos em que são feitas com o técnico de som/luthier, e não com o próprio músico, mas no caso do Bonamassa tem bastante material interessante…

… por essa razão, selecionei uma entrevista divida em 3 partes, que reputo como a melhor que ele deu até agora (isso considerando o equipo que ele usa com o BCC… não considerei qualquer material antes disso), além de uma mais recente, de uma parte apenas, mas que complementa e resume bem grande parte do que é abordado nos 3 vídeos anteriores…

… portanto, meus amigos, enjoy… ;]

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A Toca dos Efeitos no Dia Mundial do Rock

13 de jul. de 2011 |

Sim, dizer que o rock tem “um” dia apenas é ridículo, eu sei, mas já que ele existe para quaisquer fins, porque não aproveitar dele para escrever algo diferente, não é verdade? hehehe

… pensando em abordar algo diferente daquilo que normalmente é abordado aqui, pensei em indicar uma banda, que preferencialmente tenha lançado algo nesse ano, e que possa fazer jus ao legado do rock… que responsa, né? Também acho… mas a banda e o CD que vou indicar têm nomes históricos tocando e faz um rock “de fundamento”… pelo menos na minha opinião… hehehe

… a banda em questão se chama Black Country Communion (que a partir de agora chamarei de BCC) e o CD em questão chama-se simplesmente 2…

black-country-communion_BCC2… o BCC tem uma formação incrível, que começa com um dos maiores vocalistas de rock de todos os tempos, na minha opinião, que é o Glenn Hughes (também foi o primeiro cara que ví cantando em VHS, no California Jam, do Deep Purple, e que me fez saltar do sofá – naquele trechinho que ele canta em Burn), e que também toca baixo na banda; na guita, Joe Bonamassa, que comento melhor depois; Jason Bonham na batera, que toca um absurdo; e o tecladista Derek Sherinian, outro monstro… das consideradas SUPER BANDAS, foi a única que realmente fez jus ao barulho da mídia, na minha opinião, juntamente com a extinta Audioslave (duvida? Ouça a “super” banda Chickenfoot ou a Rock Star Supernova e depois compare)…

61pEWypNpQL._SS500_… o 2 é um disco sensacional… gosto de todas as músicas, da 1 à 11… algumas, se lançadas em outros tempos, seriam consideradas clássicos, na minha opinião… e os ingredientes são ótimos: rock setentista; blues; rock ´n blues; enfim, um grande material… o primeiro disco da banda também é muito bom, mas este é superior, mais completo e complexo… em todas as áreas houve melhora em relação ao primeiro trabalho da banda…

… quanto ao Joe Bonamassa, conheço-o há algum tempo, mas confesso nunca ter sido fã do trabalho dele… até o BCC…

… quando soube que o BCC tinha sido formado, a primeira coisa que me despertou interesse foi, claro, o Glenn Hughes, de quem sou fã confesso… além disso, me chamou a atenção o fato do guitarrista ser o Joe Bonamassa, pois não sabia o que esperar dele numa banda com uma proposta mais rocker, e com uma pegada mais pesada que se poderia esperar…

… no primeiro CD, gostei do trabalho do Bonamassa, mas nada além disso… achei que ele teve bons momentos, boas idéias, mas que não tinha um grande destaque, o que, de certa forma, era o que eu esperava…

… entretanto, no 2, tenho de admitir que ele fez um trabalho primoroso, com ótimas linhas melódicas, solos incríveis, com mais peso, e quem sabe até mais direto que no primeiro disco… me saltou aos ouvidos o excelente trabalho que ele fez nesse CD…

… e como de nada adianta ficarmos falando de pedais, efeitos, guitas e amplificadores, sem que consigamos tirar boa coisa da bagaça toda, recomendo à todos a audição desse CD como um referencial de um ótimo som das 6 cordas da guitarra…

… e para os que quiserem uma palhinha, segue abaixo 3 músicas do CD, selecionadas à dedo, claro… hehehe

Abraços e rock todo o dia para todos nós…  \m/

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DICA DA SEMANA

20 de mar. de 2011 |

Amigos, antes de mais nada, preciso pedir desculpas por não ter publicado o DICA DA SEMANA na sexta, como prometido, mas fiquei sem internet desde a sexta-feira, o que impossibilitou que eu pudesse fazer isso antes…

… além disso, estava programada para o dia 15/03 a publicação do primeiro texto da nova seção "QUE PORRA É ESSA?”… a programação para a finalização desse texto teve de mudar… já há 1 mês, pelo menos, está pronta a parte teórica do primeiro texto, e faltava a explicação quanto a parte prática do que será abordado… a programação inicial quanto a essa segunda parte mudou e agora estou procurando a melhor forma de finalizá-la… de qualquer forma, prometo que da próxima semana não passa…

… por fim, falando do que segue neste DICA DA SEMANA, o que trago é algo que achei absolutamente interessante, pois são alguns vídeos que mostram discussões acerca do timbre, testes em protótipos e a versão final do amplificador Marshall AFD100, lançado em janeiro de 2011, e que visa trazer os timbres do Marshall usado no álbum Appetite for Destruction (por isso AFD), do Guns n´ Roses… o bacana desses vídeos é a possibilidade de ver conversas do técnico da Marshall com o Slash, que conta tudo sobre o timbre da época… além disso, há um teste com o protótipo final, além de um vídeo com a versão final, que mostra as diversas possibilidades desse amp….

… particularmente, devo reconhecer que tudo que tenho ouvido e visto desse amp. tem me deixado muito impressionado… recomendo que mesmo àqueles que não gostam de Guns ou Slash vejam os vídeos, porque mostram um pouco do processo de construção de um amp., além do que o último vídeo procura mostrar o amp. com strato, entre outras guitas, e com sons diferentes dos do Guns…

Abraços e bom proveito…

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NAMM 2011 – Amplificadores 2/3

3 de fev. de 2011 |

Dando sequência aos trabalhos, segue a segunda parte do melhor em amplificadores da NAMM 2011… desde já destaco os vídeos dos amps da Blackstar, pois além de serem amps que me agradam muito, um dos vídeos mostra os pedais da marca, que também são muito interessantes…

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Amplificadores x Simuladores

21 de set. de 2010 |

Eu tenho certeza que muitos que lerem o título desse tópico provavelmente se armaram de foices, com medo do que pode vir, ainda mais porque este que vos escreve é proprietário de uma BOSS GT-8… entretanto, a intenção, pelo menos dessa vez, não é o de polemizar sobre o assunto, tão pouco o de expor minhas impressões e experiências… pelo menos não dessa vez…

… o que me trouxe para postar um título tão instigante, pelo menos pelo que percebo nas diversas discussões que lí acerca do tema, foi um teste, que infelizmente não lembro onde exatamente foi indicado, que traz à tona a experiência e os ouvidos de produtores que trabalharam com grandes músicos e que trabalham com equipamentos da mais alta qualidade, e que se dispuseram a testar seus ouvidos num comparativo “amplificadores versus simulações desses amplificadores”…

… os amplificadores usados para o teste foram um Fender Twin Reverb, um Marshall JCM800 e um Vox AC30, ou seja, alguns que fazem parte da “nata da nata” dos amplificadores… e o resto, meus amigos, é ler a matéria, os resultados dela, e até mesmo ouvir os samples do audio ouvido por esses produtores, o que pode ser interessante para se ter uma idéia mais precisa das impressões tiradas por eles…

… o teste pode ser lido no endereço http://emusician.com/tutorials/showdown-clubhouse-amp-software/index.html , bem como os samples podem ser ouvidos no endereço http://emusician.com/web_clips/listening_test/ …

… em tempo, peço aos que já torceram o nariz que dêem uma lida nessa matéria… que já adianto, tão pouco diz que os simuladores não prestam, nem mesmo diz que são o futuro… é tão somente a percepção de produtores muito experientes, que procuram apenas ouvir o som, chegando, em alguns casos, a acertar qual era o amp. real, embora afirmassem ter preferido o som de um dos simuladores, ou seja, não se trata apenas da semelhança ou não, mas sim o que aquilo que é apenas semelhante pode oferecer de melhor ao som, que no final das contas, é o que importa…

Abraços e até a próxima… \m/

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SE EU SABERIA QUE PEDAIS EU TERIA HOJE? – PARTE 1

16 de out. de 2009 |

Brevíssimo preâmbulo...

Bom, antes de mais nada, quero fazer um pedido aos amigos: como tem sido praxe desde o início da Toca dos Efeitos, tenho recebido mais email´s que comentários aqui no blog... evidentemente, na totalidade, tanto um quanto outro me mostram o prestígio que o pessoal tem dado ao trabalho desenvolvido aqui, e não somente por mim, devo frisar... entretanto, salvo alguns casos em especial, muitos email´s possuem conteúdo que seria interessante que todos tivessem conhecimento, pois alguns assuntos podem interessar muita gente... deixando comentários aqui no blog, é possível fazer isso... eu responderei todas as dúvidas, assim como faço por email, mas com a diferença de que todos terão acesso às informações trocadas... portanto, pessoal, se o assunto for pertinente, opte por usar os comentários do blog, pois dessa forma a informação ficará mais “democratizada”... hehehe


... bom, dito isso, vamos à pauta do dia... hehehe

... então, por conta do último post que fiz, recebi muitos mais email´s me perguntando 1) porque estou usando uma pedaleira digital, algo que pretendo abordar detidamente mais tarde; e 2) se eu saberia que pedais eu teria hoje, acaso não estivessse usando uma pedaleira...

... bom, se tem uma coisa que aprendi com o tempo é que set ideal é algo temporal, ou seja, hoje o ideal é um, amanhã será outro... guitarrista é um tipo que costuma ser insatisfeito mesmo... hehehe... bom, no álbum de fotos do meu orkut, há algum tempo posto meus setup´s com a legenda PEDALBOARD DEFINITIVO... já tenho uns 7 pedalboard´s definitivos desde que comecei a fazer isso... hehehe... mas, ainda que seja temporal, isso não significa que eu não tenha um setup de pedais na minha cabeça... curiosamente, desde o último post, tem uma posição do setup que está entre 2 efeitos, o que me fez chegar numa interessante opção (me cobrem isso depois)... entretanto, afora isso, o resto, NO MOMENTO, estaria definido...

... para a primeira parte dessa “pequena saga”, escolhi escrever sobre a “menina dos meus olhos no momento”, que é o Dirty Little Secret, da Catalinbread...

... desde que ele foi lançado, sempre tive muito interesse nesse pedal, pois os vídeos e samples que acessava mostravam características espetaculares para o som que tenho tocado no momento... entretanto, foi depois que tive a oportunidade de tocar nele que fiquei realmente embasbacado com as potencialidades desse pedal... há muito tempo eu não ficava tão positivamente impressionado com um pedal de saturação...

... esse pedal não tem mistérios... quem deseja um som de Marshall, e com diversas nuances de um Marshall, esse é "O" cara... para comportar tamanha versatilidade, ele possui dois MODOS, chamados ROCK e RAWK... o primeiro passeia na linha de um Plexi... não é uma simulação de Plexi, antes que me entendam mal, mas ele tem algumas nuances desse amplificador, seja com um belo clean/crunch, seja com um drive bastante presente, ou seja, é o modo com o timbre mais vintage... o modo RAWK, por outro lado, tem um incrível timbre de hi gain Marshall... através do uso adequado do TONE e do GAIN, é possível ter um hi gain bem presente, na linha dos Plexi´s "modificados" dos anos 80, bem como um hi gain mais fechado e comprimido, na linha de um JCM800 "bombado"... portanto, é opção que não acaba mais...

... então, como podem perceber, tendo em vista o que toco atualmente, que é o grande parâmetro para qualquer músico escolher o que precisa ter no seu pedalboard (pelo menos na minha opinião), hoje em dia o Dirty Little Secret seria a minha escolha para hi gain... ele não é um pedal específico para metal, estilo que não toco desde o final do ano passado, mas mesmo assim oferece timbres bem pesados...

... bom, está aqui o primeiro dos pedais que eu teria hoje em dia no meu pedalboard... em breve, falarei dos demais...

... e, claro, como não poderia deixar de ser, segue abaixo alguns vídeos mostrando o DLS em diversas situações diferentes... sim, são muitos vídeos, mas vale apena vê-los, pois com eles é possível entender todas as possibilidades desse pedal incrível... ;]

Abraços!
















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MARSHALL GV-2 - GUV’NOR Plus – por Charles “Brown” Fernandes

30 de ago. de 2007 |

Brevíssima introdução…

Amigos da Toca,

Antes de passar ao que interessa, que é a bela análise que segue, gostaria de fazer pequenas colocações, claro, pertinentes à atualização do blog...

... a Toca dos Efeitos, o que suponho esteja mais claro para àqueles que visitam e conhecem o site desde o início, é um projeto paralelo, sem fins lucrativos, que procuro tocar, antes de mais nada, por conta da minha paixão pelo mundo dos efeitos de guitarra, e também pela falta de um canal idôneo e desvinculado de análise dos equipamentos ofertados no mercado...

... contudo, como foi pontuado antes, trata-se de um projeto sem fins lucrativos, um hobby, na verdade, e que depende das minhas atividades com fins lucrativos para eu poder fazer a manutenção dele, e, por conta disso, foi, é e será natural que eventualmente eu não consiga cumprir a periodicidade de atualização quinzenal que desejo operacionalizar...

... por outro lado, mesmo tendo tido muitas atividades no último mês, admito que parte do “desleixo” se deu por desorganização da minha parte e, portanto, fica aqui o meu compromisso em manter a Toca com mais organização, uma vez que, dado os contatos que tenho tido do pessoal, a Toca já não é mais, assim como nunca foi, um projeto do Milton, mas sim de todos os interessados por efeitos de guitarra, o que não são poucos...

... ademais, “frivolidades” à partes, vamos ao que interessa... hehehehe ;]



MARSHALL GV-2 - GUV’NOR Plus
Por Charles “Brown” Fernandes
Charles “Brown” Fernandes é guitarrista da Banda Unha Encravada de Indaiatuba/SP




Quando adquiri o Guv’nor Plus, tive o intuito de usá-lo como drive secundário do meu set, afim de variar as minhas distorções porque sempre tive predileção pelos médios evidentes de outro pedal da Marshall, o Drive Master, que é um modelo que possuo da linha original e descontinuada do GV-I, aqueles das carcaças grandes e pretas. No entanto, aos poucos o GV-2 foi me cativando pelas suas qualidades e hoje já adquiriu status de distorção essencial em meu set. Esta minha predileção pelas distorções de pedais compactos da Marshall deve ter motivado o Milton a realizar o convite para escrever na Toca, e, portanto, confesso que será difícil igualar meu singelo review aos excelentes textos aqui postados, mas tentarei, na medida do possível, ser digno da confiança em mim depositada.

Bom, pra começar a entender melhor as características do Guv’nor Plus, acho interessante observar como os demais pedais de distorção executam este efeito e traçar paralelos com nosso pedal em questão.

Então, como rola a distorção? Bom, é o mais simples dos efeitos, e envolve apenas ganho do sinal e capacidade de amplificação de um aparelho. Em amplificadores ela acontece quando a potência do aparelho não consegue mais elevar a intensidade do sinal e ele abre o bico, ou seja, estabelece um limite no sinal onde não consegue mais elevar a intensidade, clipando-o, cortando-o, distorcendo-o. Em pedais compactos a clipagem é feita de uma maneira mais simples para que não se precise aumentar volumes a taxas exageradas afim de distorcer. O sinal é elevado por um pré-amplificador inicial na entrada do efeito que é controlado pelo knob de drive do pedal. Existe um componente de passagem que corta o sinal com o desenho desejado, em geral transistores ou diodos, e depois outro pré-amplificador eleva novamente o sinal para estabelecer um volume de saída, controlado pelo knob de Level (devemos entendê-lo como Level de saída). Resumindo, um pedal compacto possui um level de entrada que quanto maior, mais intensa deixará a ação dos componentes clipadores sobre o sinal, e um level de saída que controla o volume final do efeito já distorcido.

Acontece exatamente assim no Guv’nor, ele é um overdrive bem acentuado e sua distorção é levemente aveludada, não podendo ser considerada áspera. Desenhada para adquirir as características dos drives da linha JCM-800, a distorção do GV-2 possui uma clipagem forte, não linear e homogenia, como em todo overdrive (clipagens retilíneas e homogenias são característica de Fuzzes e distortions), podendo-se perceber onde o sinal não sofre alteração, em baixas intensidades (ver samples com drive às 9hs), e que a partir de ganhos mais elevados começa uma perda gradual que inicia lenta mas vai aumentando a taxa conforme aumenta também o ganho. Na minha opinião, o Guv’nor não determinará nunca numa linha horizontal de clipagem, podendo-se comparar o attack desta distorção a uma parábola côncava.

Este attack lento da distorção, que inicia roubando pouco e lentamente aumentando cada vez que o sinal eleva o ganho, lembra muito um set de válvulas EL-34 fritando em altos volumes, pois sente-se a clipagem roubando muito de freqüências bem exaltadas e nitidamente deixando a base do som de pouca intensidade passar mais livremente. O diferencial do Guv’nor para os outros overdrives está nesta clipagem em intensidades mais elevadas, mas ainda em formato de overdrive, pois esta parábola mais achatada, por estar tão alta, acaba assemelhando este pedal a distortions em algumas regulagens de alto ganho.

Ainda falando em distorção, mais especificamente em harmônicos, esta clipagem em intensidades mais elevadas possibilita que os Harmônicos do som da guitarra, que ocorrem sempre em freqüências mais altas que a nota tocada e que são sempre bem menos intensas que a freqüência fundamental, adquiram evidência e saiam muitas vezes sem distorção ou com taxas baixas, soando maravilhosos e nítidos, gerando um ganho de médios e agudos - estes últimos, em especial, são passíveis de exageros, embora, geralmente, o som adquira um brilho gostoso e significante, podendo-se acentuar, também, detalhes de timbragem do instrumento, em especial os de caráter mais estalado e agudo como das Stratocaster.

É característica de distorções com clipagem em altas intensidades enriquecer o som de harmônicos agudos e realçar timbragens. Fala-se até em som abelhudo para algumas delas e o Guv’nor quase cai neste adjetivo.

Pode-se notar como isso acontece analisando o spectro de um som de guitarra limpo e analisando a quantidade de freqüências mais altas (mais agudas) em relação a freqüência fundamental (nota tocada) e suas intensidades. Este desenho será como uma linha inclinada, iniciando elevada na freqüência fundamental e diminuindo a intensidade, ora mais, ora menos, a cada grupo de harmônicos mais agudos que se segue.

A ação da distorção neste sprectro estabelece um teto para as freqüências de maior intensidade e, ao se elevar o ganho de saída após a clipagem, evidencia-se os harmônicos mais fracos. Isso dependerá em muito da timbragem e característica de seu instrumento e em especial do ganho de sua captação.

Saindo da distorção propriamente dita, podemos observar outras qualidades deste pedal de efeito, e uma delas, e que é diferencial do Guv’nor, está nas 4 bandas de equalização. Além de agudos, médios e graves, possui também DEEP, que são graves bem baixos, entre 50 e 100 hz, e que parecem sair das profundezas da guitarra. Estas freqüências são o paraíso dos guitarristas pois encorpam muito, perigosamente na mesma medida em que embolam, pois aproximam a guitarra da faixa de freqüências usada pelo baixo e o bumbo, tornando-se um caos se você não tiver sensibilidade para usá-la.

Bom, vamos pensar um pouco: se o Mizão solto da sexta corda da guitarra possui aprox. 82,4 Hz, e que não se soltam harmônicos mais baixos (graves) que a freqüência fundamental, pra que se ter uma regulagem de sub graves num pedal de guitarra?

Simples. Encare esta regulagem como uma função paramétrica do tone de graves, fazendo com que se consiga controlar melhor a incidência do knob de graves sobre o som, mais para o mi bordão, se o DEEP estiver excitado, ou mais para perto do fim dos graves, em 250 hz (o que equivale proximidade do “A” 220 Hz da 3ª corda casa 2), se o DEEP estiver retraído.

Além destes tones de Deep e Bass, existe também o de médios e o de agudos, que também possuem particularidades. Como a distorção evidencia muito os harmônicos mais altos e timbragens mais agudas, este pedal acaba passando a sensação de falta de médios. E isso que muitos vêem com estranheza no Guv’nor, na verdade é uma arma na mão dos guitarristas mais sagazes. Imagine você poder elevar os médios de seu ampli, encorpando e definindo seu som limpo sem contudo transformar sua distorção numa corneta? Pois é, este pedal proporciona este baixo ganho de médios que alguns acharão depreciativo e que encaro como grande qualidade. No caso do meu equipamento pessoal, fico bem tranqüilo usando o Guv’nor pois meu Fender, da linha Hot Rod, é médio até os ossos. Esta eficiente combinação permite que meu amplificador possa trabalhar com os médios plenos empurrando harmônicos de maneira muito gostosa, mas sem excessos.

Quanto à regulagem de agudos, posso afirmar para o Guv’nor o que é verdade para 100% dos pedais de efeitos e amplificadores: não existem freqüências fundamentais (notas) agudas na guitarra, pois a escala cessa perto de 1300 Hz e os agudos só se iniciam à 2000 Hz (Graves 20Hz a 250 Hz / Médios 250 Hz a 2000 Hz / agudos 2000 Hz a 20000 Hz, para padrões internacionais de áudio). Então, o knob de agudos não atua sobre a nota tocada, mas sim sobre o timbre e os harmônicos. Guitarras Les Paul, por exemplo, podem trabalhar com grande taxa de agudos para realçar seus harmônicos, pois possui timbre pouco estridente. O mesmo não se pode dizer das Strato, onde se deve trabalhar os agudos com parcimônia. Se eu fosse renomear os knobs chamaria o tone Agudo de “tempero” ou de “Ganho de timbre”. Vale lembrar disso ao cortar os agudos de seu Guv’nor.

Este pedal possui uma das mais práticas e versáteis equalizações que já experimentei, é realmente muito difícil não se chegar ao ponto desejado com ele.

Quanto à construção, o pedal é robusto, muito bem construído e projetado, inteiro em liga metálica com base de borracha colada na tampa metálica inferior. Seus knobs são bem rebaixados, evitando que se “chute” regulagens durante o uso. Sua luz de acionamento poderia ser um pouco melhor posicionada, mas também não é um ponto fraco. Os acabamentos dos knobs são do tipo “safado”, bonitinho mas ordinário, pois são metálicos e dourados, lindos, mas a marcação da regulagem é silkada e gasta com o tempo. Tenho outros 2 pedais da mesma linha da Marshall, cuja pintura refiz com esmalte de unha, um pecado para um produto de tão grande qualidade. Trocando em miúdos, você pode ir até o inferno com o pedal e trazê-lo de volta intacto, no máximo com os knobs apagados.

Muito se fala dos pedais compactos de distorção da Marshall e duas opiniões são freqüentemente observadas: 1) a adoração incondicional, cujo grupo me encaixo; 2) e a rejeição imediata ... bom, vale dizer que a Marshall usa as características dos drives de seus amplificadores para projetar sua linha de pedais compactos assemelhando os componentes analógicos de clipagem com as taxas de distorção harmônica utilizados em seus amplificadores. Então, pode-se dizer que usar um pedal de Distorção Marshall em um amplificador Marshall ou semelhante é “chover no molhado”, e isso pode explicar a indignação do grupo que rejeita o pedal. Por outro lado, quem possui amplificadores de grande headroom, ou seja, grande capacidade de produzir som limpo que acaba proporcionando uma distorção mais áspera e texturizada, como os Fender, tem nos pedais Marshall o complemento necessário para uma enorme versatilidade de timbres, efeitos e distorções.

A Marshall divulga este pedal como capaz de realizar gravações diretamente em linha sem amplificação, e, embora eu não tenha testado o pedal desta maneira, pois costumo ensaiar com minha banda com fones de ouvido, usando os pedais e o pré do meu amplificador, mandando um sinal pelo préamp out e colocando um plug sem fios no return para zerar o som do power, posso dizer que de longe este pedal é a melhor distorção de meu set para se trabalhar em linha, mas não indico este uso pra ninguém.

Fechando minhas opiniões sobre o Guv’nor, posso defini-lo como versátil, pois não possui um drive marcante ou característico, podendo se encaixar facilmente às suas necessidades de overdrive; e suave, pois possui uma grande taxa de compressão numa clipagem forte e aveludada. Recomendo esse pedal a quem possui amplificadores de bom som limpo e que gosta de praticar a dinâmica na(s) sua(s) banda(s), pois as múltiplas possibilidades de equalização possibilitam que ele se destaque dentre os instrumentos ou adquira uma conotação secundária sem se sobressair, se isso for a intenção do guitarrista.

Samples do Guv’nor
Link: http://www.4shared.com/file/29286107/41328a59/OVERDRIVE_MARSHALL_GV-2_-_GUVNOR_Plus_-_Charles_Brown_Fernandes.html?dirPwdVerified=7a2db832

Disponibilizei algumas gravações realizadas de maneira amadora em um estúdio de ensaio da minha banda e que pecam pela qualidade, pois não possuo equipamento adequado. Ainda assim, tentei elaborar este material da maneira mais didática e simples que pude para que não fosse impregnado por impressões subjetivas. São gravações curtas, simples e secas para poder visualizar melhor a ação do efeito.

Foi utilizado uma Telecaster Hand Made, feita pela Luthieria Tonewood, de Americana, com braço de Pau Marfim e corpo de Mogno, que é um projeto bem alternativo para uma Tele, com um pickup Lip Stick Fender american no Neck, um Seymour Duncam Little 59 “for Tele” na ponte e encordoamento 0.11 Ernnie Ball.

O amplificador foi um Fender Hot Rod Deluxe, onde se procurou trabalhar as tonalidades o mais próximo possível de 50% (0dB), o bright acionado e o presence no zero. Este amplificador possui um Falante Eminence Legend. Ainda, utilizei uma caixa lacrada adicional com outro falante Eminence Legend 121, microfonando as caixas em lados separados e em stereo. A caixa lacrada está no lado esquerdo e o falante do amplificador está no lado direito do stereo. Esta diferença de timbragem dos falantes acentuou as qualidades de timbre do pedal.

As trilhas com o Guv’nor, gravadas diretamente do ampli, serviram de base para a criação de outras trilhas que foram renomeadas e trabalhadas no programa Adobe Audition, onde receberam efeitos diversos como chorus, phaser, delays e reverbs, para que se tenha a comparação da distorção seca e de efeitos adicionados. Os arquivos alterados possuem o mesmo nome dos originais acrescidos de “_efeito” no fim do nome. Observação para os delays que possuem tempos diferentes em cada lado do stereo para evidenciar as qualidades de timbre.

Na trilha “01_Telecaster_neck limpa” - som de referencia da guitarra limpa com pickup de neck.

Na trilha “02_guvnor_drive 9hs” o pedal estava com suas regulagens de tone à 50% (0dB) e o drive às 9hs, ou seja, bem baixo. No primeiro trecho utilizou-se o pickup da ponte, na seqüência ponte e neck e o último só o do neck.

O level de saída do Guv’nor procurou estar próximo ao volume da guitarra limpa, assim como recomenda a Marshall em seu manual e como acredito ser mais interessante para o uso deste efeito.

Na trilha “03_guvnor_drive 12hs” o pedal estava com suas regulagens de tone à 50% (0dB) e o drive às 12hs, ou seja, exatamente no meio. Utilizei somente o pickup da ponte. Até este ponto a intensidade do Drive não chega a tocar com força a área de clipagem do Guv’nor e a distorção sai magra.

Nas trilhas “04_guvnor_drive 3hs_01” e “04_guvnor_drive 3hs_02” o tone de grave e médio estavam à 1h e o resto às 12hs. O drive estava às 3hs, ou seja, quase no máximo. Esta é a regulagem que uso mais comumente no meu set, somente acrescentando um pouco mais de graves, dependendo da regulagem do ampli.

Na trilha “04_guvnor_drive 3hs_Tone deep” os tones todos estavam à 50% e o tone de DEEP às 2hs, dando uma embolada nos graves e pesando o efeito. Nota-se que ao tocar notas mais altas nada se escuta de diferente no pedal, já que estas regulagens do DEEP incidem somente na primeira escala da guitarra.

Sei que não é pra falar de outros efeitos, mas vale ressaltar que o peso adicional dado na trilha “04_guvnor_drive 3hs_Tone deep_efeito” vem de um delay com tempos múltiplos a 50 ms e 75 ms, em lados diferentes do stereo, que fazem a distorção pesar mais sem que se acrescente drive.

O Guv’nor como Booster

Bom, mais uma vez gostaria de definir algumas coisas antes de prosseguir. Não achei nenhuma referência na literatura de áudio ou efeito que defina boosters de guitarra mas tenho um conceito claro na minha cabeça: eu encaro que existe o booster e a distorção, nesta ordem. Quem aumenta o ganho antes está boostando o sinal para quem vem depois. Então, pode-se falar em Guv’nor Boostando ou sendo Boostado, conforme sua posição na pedaleira.

Nos samples gravados, achei interessante colocar trechos com o pedal interagindo com outros drives, em especial com o Fuzz Face e com o TS-9, que combinam com tudo em matéria de distorção.

Na trilha “05_Fuzz Face_ Guvnor” utilizei o Guv’nor como distorção principal sendo Boostado pelo Fuzz Face (na verdade um Fuzz Tone, da EFX, com transistores de germânio) com regulagens a 50% (12 hs) em todos os knobs . O resultado foi uma distorção bem definida e ligeiramente áspera, pois o Fuzz Face entra com uma compressão muito suave do sinal, clipando apenas as mais altas intensidades de maneira rápida e áspera, enquanto o Guv’nor tende a amaciar esta clipagem, arredondando-a. Assim, como distorção “a ser boostada por outro pedal”, o Guv’nor amacia muito bem e apara arestas de pedais mais ásperos vindos antes dele.

Na trilha “05_Guvnor_Tube” o Guv’nor está boostando um Tube Screamer TS-9, que agora trabalha como distorção principal. O TS-9 está com drive às 9hs e tone às 11 hs, após receber o som do Guv’nor que boosta o sinal o TS-9, amaciando mais ainda o timbre e criando um som cremoso, encorpado e aveludado.

Infelizmente não possuo equipamento de gravação adequado e algumas trilhas estouraram em nível de entrada, pelo que peço desculpas antecipadamente, e aproveito para lembrar do caráter amador deste review, não só na qualidade de gravação bem como na minha percepção sobre o equipamento e na técnica de guitarra utilizada.

Quaisquer dúvidas e demais esclarecimentos podem ser deixados com o Grande Milton pelo e mail da Toca dos Efeitos (tocadosefeitos@yahoo.com.br) ou para este guitarrista pelo e email Charles@unhaencravada.com.br


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