Pretensa e lamentavelmente tenho de dizer que com o passar do tempo, adquirindo experiência em certas áreas, é cada vez mais difícil ser surpreendido, principalmente pelo acaso, ainda mais hoje, quando temos acesso à tanta informação com tamanha facilidade... pior ainda para quem não espera a informação chegar e vai atrás dela sistematicamente... para esse é ainda mais difícil que o acaso pregue uma peça... mas quando isso acontece, que espetáculo, não é verdade?...
... ainda pretensamente, me considero um desses do último caso, especialmente com relação à efeitos de guitarra... nada passa incólume por mim... digo, quase nada, graças à Deus, afinal, não fosse essa margem de erro, eu não teria a chance de ser surpreendido pelo acaso, como fui com o pedal do review de hoje...
... cabe uma história rápida antes de irmos direto à cereja do bolo? Claro que cabe sim... confio na paciência dos amigos... hehehe
... eu conheço o Vino Ferrari, dono da ‘baia” onde rola o NA CASA DO VINO (sim, temos de fazer uma nova edição, eu sei), há algum tempo... desde que começamos a trocar ideias nos idos dos áureos tempos do orkut, até os dias de hoje, quando fazemos isso em mesas de bar, uma coisa sempre ficou clara: eu era o cara que procurava timbres mais modernos, especialmente pesados, enquanto o Vino era o cara que curtia timbres o mais vintage possível; eu era o cara da distorção e dos simuladores de amps, enquanto ele era o cara dos drives e dos fuzzes, razão pela qual nossos papos sempre foram muito ricos, especialmente pra mim, que em determinado momento comecei a querer sacar mais daquilo que ele já sacava, justamente porque tinha mudado a perspectiva do meu som...
... dessa forma, ele sempre esteve mais atento à certas marcas, e, objetivando essa história, conhecia há algum tempo o trabalho do Ed Bonatto, “o” cara por trás da Ed´s MoD ShoP, de quem ele sempre fez as melhores referências... em determinado período eu estava buscando sonoridades clássicas de Marshall, ainda nem tanto de fuzz, e por isso não cheguei a ir atrás de mais informações sobre o trabalho do Ed, inclusive porque não tinha como testar alguns dos pedais dele...
... e assim a coisa foi até o final de dezembro passado, mesmo que nessa época eu já estivesse bastante interessado em fuzzes, e estivesse vendo isso com o Big, da Big Effects... aliás, até por essa razão não cheguei a testar os pedais do Ed, e essa foi, portanto, a brecha que dei para que o acaso, felizmente, me pregasse uma peça...
... e qual foi a peça? No final de dezembro o Vino me contata, dizendo que iria passar uns dias na praia, e me pergunta se eu não queria pegar o HeartBreaker para dar uma testada, já que eu também estava de férias nesse período, ou seja, teria tempo para testá-lo, coisa que não estava conseguindo fazer direito nem mesmo com os meus pedais... peguei o pedal, levei pra casa e, alguns dias depois, solito como nunca, botei as válvulas “no talo” e comecei a mexer na bagaça... e que bagaça, que grande surpresa e que feliz obra do acaso...
Enfim, a cereja do bolo...
A primeira impressão do pedal é muito boa... o Ed tem um trabalho visual muito interessante, muito bacana e de ótimo acabamento... aliás, se pegarmos toda a linha da Ed´s MoD ShoP, será possível verificar que o HeartBreaker OD segue um padrão visual que identifica a empresa... de uma forma geral, os pedais são muito bonitos, diga-se de passagem...
... a pintura é muito bem feita, os knobs seguem o padrão normalmente identificado como “Fulltone” e o tamanho da caixa tem a métrica similar a de um MXR tradicional, como o Microamp ou o Distortion+... internamente percebe-se um ótimo padrão de montagem, com componentes de ótima qualidade... portanto, é um pedal muito bem feito...
... o uso do pedal foge um pouco do usual, pois, além dos controles de VOLUME e GAIN, o HeartBreaker OD possui controles de TREBLE e BASS, e não o tradicional TONE... o HBOD (vou chamá-lo assim, a partir de agora) tem um nível de VOLUME muito bom, permitindo também o uso dele como booster, e com quantidade bastante razoável de variações de freqüências... o GAIN é muito versátil, limpando totalmente quando no zero (nas minhas guitarras, inclusive com captadores de saída alta, ele teve esse desempenho), e tendo uma saída muito proeminente, digno dos fuzzes dos anos 70, com o ganho no talo... acerca dos controles de tonalidade não vou me deter muito, justamente porque pedi para o Vino escrever sobre o pedal e ele realmente “me liquidou”, como se diz aqui no Sul: explicou isso de forma tão clara e didática que não será preciso eu nem me arriscar, pois certamente não farei melhor... ;]
... logo que liguei o HBOD, a primeira coisa que me veio à cabeça foi que tratava-se de um fuzz bem sutil... até por isso, certa feita, quando postei no grupo da Toca dos Efeitos, no Facebook, sobre minha excelente experiência usando o pedal, houve uma pequena discussão acerca da “natureza” dele, se era um overdrive ou um fuzz... aos meus ouvidos soava como um fuzz sutil... para outros soava como um drive... ao final, o Zé, da Vibe Guitars, nossa sempre grande apoiadora, definiu com propriedade e da forma como parece-me melhor entender o som o HBOD: “é um drive levemente fuzzeado”...
... a saturação dele, mesmo low gain, sempre tem um tempero de fuzz, mesmo que muito sutil... isso muda totalmente usando o ganho “no talo”, pois aí ele vira um fuzz sem sutilezas, ainda que não tenha nada a ver com um Fuzz Face ou mesmo com um Big Muff...
... para quem gosta de referências para entender o som do pedal, eu diria que ele fica entre o Eric Clapton dos anos 60/70 e boa parte da obra do Led Zeppelin... a vibe desse pedal é mais ou menos essa, embora ele ofereça muitas outras possibilidades, que dependerá basicamente do gosto do freguês...
... confesso que não cheguei a testar o pedal como booster por puro esquecimento... gostei tanto dele como drive/fuzz que só fui lembrar de testá-lo dessa forma quando tive de devolver o pedal pro Vino... felizmente, em contrapartida, o Vino não teve o mesmo lapso que eu, usou muito o pedal dessa forma e logo abaixo falará mais a respeito dele nessa função... portanto, só me resta falar dele como pedal de drive/fuzz...
... logo que liguei o pedal, como praxe, procurei timbres entre o levemente crunchado e crunchado, justamente porque procurava esse tipo de sonoridade e o Vino já tinha me dito que poderia encontrar no HBOD... para minha felicidade, o HBOD me deu exatamente o que procurava nessa seara: transparência, dedilhados definidos e uma “crocância” que somente com essa pitada de fuzz seria possível... em algumas regulagens de ganho, mais ou menos às 10hs, em especial, não precisei mais que alternar a dinâmica da minha palhetada para oscilar entre um timbre totalmente limpo e outro bastante rasgado e crunchado...
... aliás, uma das coisas que mais chama a atenção no HBOD é a dinâmica: em todas as minhas guitarras, com os mais diversos captadores, tive respostas bem diferentes... em poucos pedais senti tanto a diferença de sair da Les Paul e pular para a SG, por exemplo... ele é muito sensível à tudo, seja a dinâmica da palhetada, a intensidade do volume da guitarra, ou mesmo a um pedal que esteja antes dele como booster ou tone shaper...
... eu uso um BD-2 modificado como tone shaper, especialmente para dar um pouco mais de compressão e brilho ao timbre limpo... essas duas características são notoriamente sentidas no HBOD quando usado com o BD-2, tanto que dessa forma pude fechar um pouco mais o agudo dele e dar mais cara de drive ao pedal, ou seja, por conta da dinâmica e sensibilidade do HBOD, apenas usando o BD-2 tive como alternar respostas diferentes do pedal, obtendo texturas diferentes, inclusive na forma como ele satura, ficando menos fuzzy...
... por outro lado, tenho um SD-1 modificado (segundo especificações da MOD, é para deixá-lo parecido com o Fulldrive, da Fulltone), que enchia o HBOD de médios de forma mais determinante que o usual... é bem verdade que usando os controles de graves e agudos entre 10hs e 2hs o HBOD soa um pouco mais scooped, e isso facilita a entrada dos médios, mas além disso o que me chamou a atenção é que esses médios esculpiram de forma mais determinante o timbre que o usual em outros pedais... os médios desse SD-1 modificado são um pouco mais fechados que o do SD-1 original, e por isso sempre que usava ele com o HBOD conseguia timbres mais cheios, um pouco mais fechados, assemelhados, por incrível que possa parecer, a nuances do Box of Rock, da ZVEX, com o drive “no talo”... a vibe do HBOD não é de Marshall nem de amp. algum, mas faço essa observação para mostrar que o pedal é muito receptivo aos que estiverem antes dele... para ser honesto, conheci poucos pedais que se comunicam tão bem e se somam tão bem com outros drives/fuzzes como o HBOD...
... abusando um pouco mais do ganho, a partir das 14hs, chega-se a timbres relativamente bem saturados, mais scooped (pelo menos com os meus equipamento) e bem presentes... quando lembro do timbre mais saturado do HBOD, vem apenas uma música à minha cabeça: Whole Lotta Love, do Led Zeppelin... não sei por qual razão, se foi porque logo na primeira vez que usei mais ganho no pedal já saí tocando o riff dessa música, ou porque na época estava ouvindo bastante Led Zeppelin, mas seja por uma, ou outra, ou por qualquer outra razão, o fato é que, aos meus ouvidos, aquela música possui muito ou boa parte do spectro sonoro do HBOD com mais ganho... pode até ser uma trava da minha cabeça, não sei, e felizmente abaixo terá um vídeo para dirimir isso, mas o fato é que o HBOD, com o ganho a partir das 14hs, é puro Led Zeppelin... dessa forma creio que ficará mais fácil de sacar o que esperar do pedal nessa circunstância...
... afora Led Zeppelin, se ajudar, posso citar outras referências, que se aproximam, mas não estão, a meu ver, tão próximas, como Free, Yardbirds e ZZ Top... quem curte esse nicho do rock certamente vai ficar muito empolgado com o HBOD...
... contudo, como grande parte aqui sabe, eu sempre toquei em bandas voltadas para composição, e nem tanto covers, e por essa razão às vezes é difícil pra mim indicar referências... por outro lado, essa inclinação faz com que por impulso eu teste os pedais/efeitos em diversas circunstâncias, e fazendo isso com o HBOD, encontrei um gênero que entendo ser incrível pra ele: blues... e não necessariamente um blues mais pesado, com saturação de fuzz... falo, inclusive, de blues mais clássico... usando o HBOD com um single-coil de braço, toquei algumas músicas do SRV, por exemplo, com desempenho até mais interessante, ao meu ver, que os TSs que sabidamente ele usava... procurando uma linha um pouco diferente dessa, consegui timbres com menos médios para dar mais transparência, aumentar um pouco a compressão de definir as notas, especialmente as primas, muito na linha do que o Eric Clapton fazia nos anos 60...
... ainda, buscando outras sonoridades, mesmo que trate-se de um pedal que remeta à timbres mais vintages, consegui timbres muito interessantes na busca por referências mais modernas... por conta dessa pitada de fuzz que o HBOD tem, fosse em timbres mais crunchados ou mais pesados, e procurando adequá-los ao som de bandas mais atuais, achei que ele soou muito bem para tocar Kings of Leon e, especialmente, Arctic Monkeys (ficou lindo quando toquei Brianstorm)...
... portanto, não pense que a referência ao passado indique que o HBOD só se presta pra esse tipo de sonoridade, mesmo porque essas referências costumam ser as referências de muitos caras da atualidade... O HeartBreaker OD é um pedal muito versátil e, honestamente, uma das melhores coisas que passou pelos meus pés desde que comecei nesse vício chamado efeitos de guitarra...
E que venha a opinião do dono do pedal, com Vino Ferrari...
A primeira coisa que li sobre Heartbreaker foi o texto que o Ed usava em um fórum para descrever o pedal: “Overdrive old school com 3 transístores de silício com sons dos anos 60 e 70 que ajudaram a definir o som do rock 'n roll. De Link Ray a Jimmy Page passando por Clapton em Crossroads, temos um pedal de boost e overdrive leve a super saturado que é sensível a sua técnica, palhetada, volume da guitarra e dinâmico como um bom fuzz. Projetado com equalização baxandall é possível obter mid boost, mid scooped, flat e boost de frequencias individuais (treble e bass).” Óbvio que despertava uma grande curiosidade!
É válido recapitular do que se trata a tal “equalização Baxandall”! Tudo de uma forma mais simples e grosseira: vamos dividir tudo entre Equalização Passiva e Equalização Ativa. Equalização Passiva é normalmente encontrada em equipos vintage, equipos antigos e amplificadores de guitarra [normalmente!!!]. Eq passivo utiliza resistores, capacitores e indutores para SUBTRAIR o nível de algumas faixas de frequência. Um eq passivo não requer fonte de alimentação e o princípio de funcionamento é baseado na impedância de seus componentes. Como esse tipo de circuito só pode REDUZIR sinais é necessário ter algum tipo de amplificação após a equalização. Agora, para o design ativo mais simples ("ativo", neste contexto, significa que um circuito que amplifica suas frequências seletivas, de modo que nenhum nível é perdido como no passivo), é o criado por Peter Baxandall e batizado de Controlador de Tom Baxandall. O Controlador de Tom Baxandall tem um design simples e elegante, e qualquer fabricante de equipamentos teria que ser um pouco louco para querer fazê-lo de outra maneira. É o tipo de equipo certo para fazer o ajuste final do som de acordo com as preferências de cada um!
Resumindo: Equalização ativa Baxandall permite ajustes independentes de graves e agudos sem influência de um sobre o outro. Graves zerados e agudos acima das 12 horas e um treble booster começa a aparecer. E os médios? Também estão aqui, mas fixos. E como fazer para usar o danado para um midbooster? Zerando os pots de grave e agudo!
Enfim, pra que esse blá, blá todo? Para entender, e contextualizar, que não se trata de um pedal comumente encontrado por ai. Ele tem diversas particularidades. Seus controles não são, de forma alguma, simplórios e a interação dele com guitarra\captadores\outros pedais\amplificador é algo realmente incrível e merece um capítulo à parte. Para cada guitarra, para cada amplificador e suas diferentes combinações, ele reagiu de maneiras distintas.
Minha curiosidade sobre o pedal me levou a ter uma conversa pelo chat do Facebook com o criador da lata. Transcrevo o papo aqui:
Vino Ferrari: Ed. Tiro no escuro. Heartbreaker: alguma semelhança com o Overdrive Coloursound?
Eduardo Bonatto: Sim, ele é baseado no OCS! Achei que você sabia. Foi bem modificado, mas a essência é essa!
Vino Ferrari: Não sabia não, Ed. Estava ouvindo samples do Colour Sound e caiu a ficha! Pode me contar o que tu modificaste no projeto?
Eduardo Bonatto: Fiz algumas repolarizações, refiz os feedbacks, transistores diferentes, potenciômetro de gain antilog pra melhorar o curso de ação e uma ou outra coisa bem importante no som, mas eu não posso dizer!
Já tive a oportunidade de tocar em um Color Sound alguns anos atrás e o mix: timbre x dinâmica do pedal me marcou de determinada forma que, quando coloquei o Heartbreaker com gain no talo tive o insight de forma quase imediata. Mas aqui fica um adendo: o Heartbreaker de Ed Bonatto é mais dinâmico, porém, com menos ganho que o OCS.
Sobra a funcionalidade: ele joga – e muito bem – como booster antes de drives. O fato de poder brincar cortando\adicionando frequências, por si só, já é de grande valia. Some a isso a possibilidade de reduzir gain e apenas aumentar o volume do pedal (não esperem um booster limpo de 25dbs, por favor), que por consequência, aumenta a saturação – não como um tradicional booster limpo faria, obviamente ele adiciona a sua personalidade - do pedal subsequente....ou o charme da criatura: adicionando vozes, texturas de fuzz ao diminuir o controle de volume e adicionar gain do pedal! Sustain, definição e uma leve compressão foi o que ganhei no primeiro teste dele, como treble booster, do Big Muff Russo do Tito. Como midbooster de outros drives conseguiu dar o destaque na mix que pedais como os ‘TS Like’ conseguem (Não! Ele não parece um TS! Não façam confusão!), mas, como sempre, adicionando a sua personalidade marcante no timbre final.
No modo stand alone, não seria nada à lá muff ou fuzz faces. Nada de fuzzes lamacentos, gordos (Porém, nada magro!). No talo, minha melhor analogia estaria num Fuzz Face de germânio com o famoso “potenciômetro de volume voltadinho”. Uma certa crocância, um crunch que certamente será notado no vídeo que o Milton fez. Importante ressaltar que a dinâmica do pedal beira o absurdo. Lembra muito a facilidade que alguns amplificadores single ended saturados tem em limpar quando aliviada a mão da palheta.
Construção: O pedal é muito bem feito, tanto externa quanto internamente. Soldas bem feitas, circuito limpo e organizado. Quem teve a oportunidade de ver um pedal do Ed aberto sabe que não é qualquer coisa. Esteticamente ele chama muito a atenção. A pintura é muito bonita e o nome do pedal com a arte “escrito à mão” dá um charme bem bacana para o pedal e já virou marca registrada da Ed’s Mod Shop!
Minha constatação sobre ele? Um canivete suíço. Incrível a gama de timbres, utilidades e possiblidades que se pode extrair dele. Maaaas...realmente, acho que ele não é para todas as boards. Quem curte a vibe mais vintage, a função de ter que tirar o timbre na unha, texturas de fuzz, de treble booster... certamente irá se esbaldar nessa verdadeira máquina de timbres. Sempre lembrando, que apesar de toda essa áurea 60’s e 70’s, ele possui uma equalização ativa ;)
Abraços
Vino Ferrari
Finalizando...
Antes de finalizar, tenho de agradecer o Vino pelo belo review acima... eu o convidei num dia, e no outro ele já me mandou esse belo material... valeu, meu velho... ;]
... para complementar esse review, claro, segue abaixo um vídeo mostrando diversas facetas do HeartBreaker OD... tenho certeza que muita coisa abordada acima ficará mais clara com a audição do material desse vídeo... aliás, uma observação importante: como não cuidei como deveria o volume geral durante a gravação, o audio teve oscilações consideráveis e por isso optei por manter o volume mais baixo, evitando o uso de compressores, até para não maquiar o som do pedal... portanto, não estranhem se o volume ficar um pouco mais baixo que o usual...
... ainda, agradeço à todos por sempre estarem conosco... não percam a fé em nós... hehehe... o tempo está curto para atualizações mais constantes, mas, pelo menos, cá estamos com mais esse review... ;]
Senhores, antes de mais nada, tenho de desejar à todos um excelente 2013… muita saúde, música e GAS moderada (se possível) neste ano que inicia… ;]
… além disso, 2013 é um ano que promete… muitos dos projetos de 2012 tiveram de ser postergados, mas quase todos estão a pleno vapor para começar, e logo, em 2013… já temos presença confirmada na próxima Expomusic… teremos mais promoções… teremos mais postagens… teremos mais de tudo do que faltou em 2012… enfim, 2013 promete mesmo… ;]
… portanto, fiquem conosco… ;]
… e a primeira mudança do ano é quanto aos canais interativos da Toca dos Efeitos… o ano de 2012 me provou o óbvio: estar em todos os canais é o mesmo que estar em nenhum, portanto, a partir de agora o canal interativo oficial da Toca é a página do Facebook, no endereço http://www.facebook.com/tocadosefeitos … sim, continuaremos tendo Twitter, Google+ e todo o resto, mas todos eles replicarão a informação colocada na página do Facebook… ocorre que algumas publicações não são replicadas como deveriam, razão pela qual, a partir de hoje, o canal interativo oficial da Toca dos Efeitos é a página do Facebook…
… e o que verei na página da Toca? Originalmente, eram postadas informações sobre a Toca, quando sairiam as novas publicações e etc… a partir de hoje, além dessas informações, serão postados informativos genéricos que não teriam espaço no site da Toca dos Efeitos, como o NA TOCA DO TIMBRE, onde serão colocados vídeos/samples com timbres que tenham chamado a atenção; ainda terá o NEWS & GAS, com informações das mais diversas sobre equipamentos e afins; enfim, a página será totalmente informativa, com tudo aquilo que foge do conteúdo do site, portanto, passem lá e dêem uma curtida para não perderem todas as novidades que virão neste ano… ;]
E abrindo os trabalhos deste review, não posso esquecer…
… de agradecer o grande apoio da loja Vibe Guitars, do meu amigo José Luis Fraga, vulgo “Zé”, que inclusive cedeu este pedal para o review, e que é o colaborador mais antigo da Toca dos Efeitos…
… e não só agradeço o apoio, como indico a loja para os amigos… quer sair da mesmice e encontrar opções diferentes? A Vibe Guitars é possivelmente a melhor loja do Brasil nesse sentido… o site da loja está no endereço http://www.vibeguitars.com.br , bem como a página do Facebook no endereço http://www.facebook.com/VibeGuitars …
Enfim, o review…
… não lembro há quanto tempo conheço o Guilherme, que é o cabeça da Collateral… creio que ainda pelo orkut, quando pedi pra ele fazer um pedal que nenhum outro cloner fazia na época, que era uma cópia “cheia de implementações” do Dirty Little Secret, da Catalibread, um pedal que quem acompanha a Toca sabe que eu sou verdadeiro fã…
... de lá pra cá segui acompanhando o trabalho do Guilherme pelas redes sociais, e com o advento do uso mais frequente do Facebook, especialmente no grupo da Toca dos Efeitos, pude conhecer o início do processo de concepção do primeiro pedal totalmente exclusivo da Collateral, o Vespa Drive…
… nas primeiras vezes que o Guilherme postou sobre o desenvolvimento do Vespa, ele dizia que o projeto “começou a partir de um OCD, foi ficando diferente do OCD e no final não tinha absolutamente nada a ver com um OCD”… sempre achei engraçado quando ele escrevia isso, mas o fato é que é a mais pura verdade…
… não tivesse ele citado o OCD alguma vez, certamente nunca imaginaria que o Vespa Drive partiu de uma derivação ou total desconstrução do OCD… eles não se assemelham em absolutamente nada… portanto, se você procura algo que vá na onda do pedal da Fulltone, esqueça, pois o Vespa Drive está numa categoria bastante diferente de drive…
… em tempo, antes de passar a analisar o som, vou falar brevemente sobre a construção do pedal…
Construção
Quando fui pegar o Vespa Drive na Vibe Guitars, confesso que a primeira impressão foi positiva… o tom de amarelo se destaca, sem ser excessivamente chamativo, e a arte é clean e funcional… confesso que nas fotos não tinha gostado muito do visual, mas ao vivo tive uma impressão completamente diferente…
… além disso, me saltou aos olhos, e isso desde a primeira foto que o Guilherme postou no grupo da Toca no Facebook, o estilo dos knobs, que são lindos… a maioria do pessoal usa aqueles knobs que ficaram famosos por conta da Fulltone, e que realmente funcionam em quase qualquer arte, mas destaco esse detalhe porque mostra o interesse da Collateral em experimentar aspectos visuais diferentes, ainda que apenas os knobs… eles se sobressaem na arte limpa do pedal e são o destaque visual do Vespa Drive, na minha opinião…
… ainda, o Vespa é construído com ótimos componentes, como potenciômetros ALPHA, resistores de metal flim 1%, jacks de ótima qualidade e caixa hammond, ou seja, um excelente padrão de componentes…
… entretanto, um ponto ficou aquém do esperado: logo que peguei o pedal na mão, senti que a qualidade da pintura não era muito boa… na verdade, sentia-se, muito mais que o aceitável, relevos na pintura, como se a caixa não tivesse sido devidamente limpa antes da aplicação da pintura… nesse sentido, entendo que esse aspecto é um ponto contra da unidade que passou por mim…
… aliás, como tenho contato com o Guilherme, antes mesmo de escrever o review, comentei com ele sobre essa questão… o Guilherme, como sempre, foi muito atencioso e já estava atento à essa questão… até por isso, coloco abaixo um trecho da conversa que tivemos sobre o assunto, até para que os futuros interessados não se preocupem tanto com a pintura do pedal no futuro…
13:56
Milton Morales
Sobre a observação, achei que o acabamento poderia ter um up.
A pintura tinha muitas pontas...
Aquelas que parecem que algo ficou por baixo da tinta, sacas?
13:57
Guilherme Ribeiro Nunes
esse primeiro lote de caixinhas realmente não saiu como o planejado... não são pintadas por mim, mando fazer pintura eletrostática numa fábrica de móveis por aqui
13:57
Milton Morales
Teu pedal é muito bom, mas o acabamento, comparado com o padrão de exigência do pessoal, pode pesar contra pra ti. É só uma opinião, que queria te passar, mesmo porque, por questões de idoneidade, será o único ponto contra que colocarei no review.
Pensas em mudar algo ou só a empresa de pintura mesmo?
13:58
Guilherme Ribeiro Nunes
o cara veio se justificar dizendo que a câmara de pintura estava suja e n sei o que
então, estou estudando o uso de silk screen, no próximo lote
além de mudar a empresa que faz a pintura
no comecinho de janeiro devo começar a produção do segundo lote (incluindo aquele pedal da caixinha de leite)... ambos vão ter uma pintura diferente dessa aí (vai ser eletrostática tbm, mais lisinha), e ambos com acabamento em silk
Ou seja, neste mês a Collateral já deverá ter unidades com esse problema resolvido, felizmente…
E o som, mermão, e o som???
O Vespa Drive é da família de drives que trabalham com freqüências altas… entretanto, ele não soa agudo ou super-agudo, mas sim numa faixa de médio-agudos das mais interessantes, pelo menos na minha opinião… o som tende a soar mais “crocante”, e nem tanto chapado, como muitos pedais que tendem a ser mais agudos… de fato a primeira referência que se poderia fazer é de som de Marshall, mas não creio que seja a melhor forma de adjetivar o pedal… entretanto, pra quem gosta de começar tendo alguma referência de amp., certamente um Marshall é o que mais se aproxima…
… o TONE do pedal trabalha de forma bastante efetiva na característica que identifica o timbre do Vespa, que é essa “crocância médio-aguda”… sendo mais objetivo, com o TONE não é possível buscar, por exemplo, faixas mais baixas de médios… o que se consegue é diminuir um pouco a quantidade de presença desses médios-agudos, amaciando um pouco timbre…
… por outro lado, e aqui cabe uma observção, apesar de se falar em médios, que ninguém pense em Tube Screamer… são pedais completamente diferentes, inclusive porque a presença de médios do timbre é muito maior no TS, o que significa que sim, o Vespa soa transparente, especialmente com single-coils…
… ainda, cabe mencionar que, como o Vespa tem forte presença de médio-agudos, que não se pense que isso causa problemas na resposta dos graves, como acontece nos Tube Screamers… é bem verdade que o pedal não tem graves proeminentes, mesmo porque essa não é a proposta dele, mas ainda assim o timbre não soa magro…
… contudo, houve uma situação que senti falta de um pouco mais de graves, que foi quando trabalhei o Vespa com single-coils de ponte e meio… especialmente na ponte pareceu-me que ele ficou mais magro do que alguns gêneros musicais podem pedir, e como o pedal tem uma saída muito boa, pra tocar rock e afins, a falta de maior presença de graves pode ser uma dificuldade pra quem toca com esse tipo de captador… até por conta disso, conversando com o Guilherme, sugeri que ele colocasse uma chave FAT no pedal, que teria uma opção para colocar um pouco mais de graves no timbre… confesso que não sei se o Guilherme acatará a sugestão… pelo que entendi de uma conversa recente, sim, mas em lotes futuros… seja como for, a sugestão visou apenas implementar o pedal… tê-la ou não em nada desabona o pedal, pois ele tem uma característica que atende muito bem quem procura por esse perfil de drive…
… o controle de GAIN é muito amplo… no mínimo ele chega a limpar totalmente o timbre, dependendo da captação da guitarra, enquanto que no máximo atinge níveis de saturação muito acima da média dos drives… fazendo uma comparação, diria que o Vespa Drive tem nível de saturação similar ao do BB Booster e pouco inferior ao do Direct Drive… como será possível observar no vídeo abaixo, é possível tocar muita coisa com esse pedal, de blues à variações de hard rock…
… o VOLUME, e normalmente não falo de volume de pedal, mas neste caso é preciso, é uma questão peculiar… logo que peguei o pedal, chamou a minha atenção que com a SG o ponto onde eu conseguia o mesmo volume que com o pedal desligado era na posição de 3hs, mais ou menos, o que é bem mais que a média dos pedais… em regulagens com pouco ganho, muitas vezes cheguei a ter de usar o volume no máximo, o que nunca tinha feito num pedal, a não ser quando estivesse usando-o como booster… eu comentei essa questão com o Guilherme, que me passou que realmente tinha projetado o pedal para ter menos volume, mas nem tão pouco quanto se viu no meu equipamento… por conta disso, ele pensa em usar um potenciômetro de valor maior, para dar mais volume ao pedal, mas não sei a partir de quando isso se dará… quem for comprar o pedal, recomendo consultar o Guilherme sobre o assunto, especialmente se considerar usar o pedal como booster limpo…
… de qualquer forma, apesar de usar o pedal no limite, e cheguei a ensaiar com ele, para se ter idéia, não tive problemas com o volume, enquanto o usasse como drive… já como booster sujo, precisei usar o ganho a partir das 9hs para não sentir falta de mais volume… como booster limpo, aí sim senti falta de mais volume… na verdade, foi apenas aqui que senti falta desse elemento…
… aliás, o Vespa Drive é um booster muito bom… como não consegui testá-lo como booster limpo a contento, vou falar dele como booster sujo… usando juntamente com o canal sujo do meu amp., que é hi gain, consegui um timbre menos plano/reto, e tive essa “crocância” característica do pedal… comparando com o Wylde Overdrive, que uso como booster do canal sujo, meu timbre ficou menos comprimido e com mais brilho… comparado com o BD-2, por exemplo, o timbre soa menos rasgado… já para sonoridades mais limpas, o Vespa insere o brilho característico da sua personalidade sonora, sem descarterizar o timbre principal…
… concluindo, achei o Vespa Drive um excelente pedal… no seu gênero, hoje é um dos meus preferidos… ele tem personalidade própria, e pelo menos no meu equipamento, em 3 guitarras e 2 amplificadores diferentes, ele soou muito bem, mas muito bem mesmo… espero que as observações que fiz no review não acabem se sobrepondo à todas as qualidades do pedal… o único contra mesmo do pedal, que deve ser resolvido em breve, como se viu da conversa que quotei acima, é o padrão da pintura… as demais observações são sugestões, que só mencionei aqui porque o Guilherme foi receptivo à elas… de qualquer forma, ainda que ele não pensasse em considerar essas observações, devo dizer que o pedal é muito bom, com uma característica sonora muito própria e muito bacana… tenho certeza que o vídeo abaixo alucidará bastante as qualidades do pedal… ;]
… ademais, agradeço ao Guilherme por todo tempo que dedicou nas conversas que tivemos sobre o pedal, sem falar da abertura para as referidas sugestões… nem todo handmade é aberto à isso… não que devesse ser, claro… mas preciso referir como é positivo quando há esse tipo de diálogo, o que nem sempre é possível…
Amigos, quando estava preparando o material para o review do BD-2, já sabia que iria modificá-lo… por essa razão resolví gravar 3 samples, com timbres e regulagens bastante distintas, para deixá-los armanezados até que o BD-2 fosse modificado e eu pudesse gravar os mesmos samples, completando um material que visava comparar o pedal original com o modificado… ocorre que após a modificação (a Blues Stack MOD, do Monte Allums), o BD-2 ficou tão diferente, mas tão diferente do original, que não fazia mais sentido essa comparação… é como comparar rabanete com laranjas, simplesmente não dá… até por isso a idéia agora é fazer um review do “novo” BD-2…
… por outro lado, os samples já tinham sido gravados e, na minha modesta opinião, ficaram muito interessantes, pois mostram qualidades bastante diversas do BD-2, mostrando quão versátil é esse pedal… por essa razão é que faço esse pequeno adendo ao review do BD-2, que pode ser visto ou revisto no endereço http://www.tocadosefeitos.com.br/2012/09/boss-bd-2.html …
… acerca dos samples, são simples, curtos, mas bem interessantes… 1) no primeiro sample procurei usar o BD-2 como um tone shaper, dando mais brilho e compressão ao timbre limpo… aqui foi usado o single-coil do braço de uma strato; 2) no segundo sample procurei um timbre crunch seco e magro… percebam que aqui ouve-se nitidamente o timbre da guitarra, reforçando uma grande virtude desse pedal, a transparência, ao mesmo tempo que se ouve uma leve e definida saturação… aqui foi usado o single-coil do meio de uma strato; e 3) por fim, no terceiro sample procurei usar o BD-2 com bastante ganho, aproveitando uma interessante característica que esse pedal adquire nessas condições, que é uma saturação levemente fuzzy… aqui foi usado um humbucker (em formato de single-coil) da ponte de uma strato…
… no mais, amigos, agradeço como sempre o prestígio, convidando-os para retornar na quarta-feira, quando vai rolar um DICA DA SEMANA muito bacana, de um pedal muito diferenciado…
Preciso confessar que não fui eu quem descobriu a GF Pedals... esse mérito, inclusive porque nos proporciou fazer uma promoção que sorteou um pedal da marca, é todo do Augusto Fortes, o dono da Guitar Mind, que é uma grande parceira da Toca dos Efeitos... portanto, meus agradecimentos em todos os sentidos ao Augusto...
... mas por que em todos os sentidos? Por duas razões bastante simples: 1) porque o Augusto fez contato com a GF Pedals com o intuito de fazer uma nova parceria para a Toca, propondo, inclusive, a promoção que sorteou o pedal; e 2) porque por causa dessa iniciativa pude conhecer o Bruno, que é um grande cara, e pude conhecer esse Overdrive 808 Boosted, que apesar de “parecer ter um som óbvio”, por ser baseado num pedal clássico, surpreende... pelo menos me surpreendeu muito, mas muito mesmo...
... a primeira coisa que salta aos olhos é a construção do pedal... ele é muito robusto, com caixa no padrão MXR, potenciômetros firmes, e algo que gosto muito, que é um botão para acionar a função BOOSTED, e não aquelas chaves convencionais... não que eu veja algum problema nas chaves, mas eu realmente acho que o botão deixa o visual muito mais bacana...
... abrindo o pedal o que se percebe é uma montagem limpa, seguindo o mesmo padrão de montagem da MXR, utilizando, inclusive, potenciômetros de hastes altas, que é algo raro entre os handmades que conheço... não que esses potenciômetros sejam melhores que outros, apenas ressalto isso porque vejo com bons olhos uma empresa procurar fazer bem feito aquilo que é bem feito por uma empresa consolidada como a MXR... portanto, ponto para a GF Pedals, tanto pela qualidade dos componentes, quanto pela qualidade da construção do Overdrive 808 Boosted...
... superada a parte tátil, vamos à parte que só os ouvidos podem analisar, o som do pedal...
... ao ligá-lo, como sempre faço, coloquei todos os controles às 12hs e logo senti aquela vibe de “TS-like”... mas 2 coisas me chamaram a atenção: 1) o ganho parecia maior que o usual de um TS808; e 2) não senti algo que sempre me incomoda nos Tube Screamers, que é um corte de graves... e isso me incomoda profundamente... ou seja, pra mim, trata-se de um upgrade e tanto…
... como nas primeiras vezes toquei com o pedal usando a minha Les Paul, basicamente explorei o Overdrive 808 Boosted em sonoridades mais vinculadas ao rock, algumas um pouco menos saturadas, e nessas gostei muito de tocar músicas dos Stones, e outras um pouco mais saturadas, e nessas me agradou muito tocar Deep Purple e Audioslave (por alguma razão, aos meus ouvidos, o Overdrive 808 Boosted, com a chave Boosted acionada, e a minha Les Paul, soava bem demais para tocar Cochise e Show me How to Live, por exemplo)...
... alguns testes depois, resolvi testar o pedal com a minha strato, especialmente para ter condições de ouvir o pedal com single-coils, e as primeiras impressões foram de respostas muito similares à de um Tube Screamer: médios proeminentes, boa compressão, ótima definição de notas e sustain para solos, ou seja, se você procura alguma coisa na linha do SRV, você sempre estará bem acompanhado com um Tube Screamer, e por isso também estará bem acompanhado com o Overdrive 808 Boosted... este último com alguns extras... que extras? Vamos à eles...
... antes mesmo de tocar com a criança, quando fiz a entrevista com o Bruno, perguntei à ele algumas referências sobre o pedal, e num primeiro momento o Bruno o definiu como “basicamente um TS808 com uma chave que dá mais ganho” (não foram exatamente essas as palavras, mas foi algo do gênero)... aí, quando liguei o pedal, eu senti ele um pouco diferente de um TS808, como descrevi acima (parecia ter mais ganho, mesmo com a chave Boosted desligada, e não ter o clássico corte de graves), sem falar que o timbre parecia soar um pouco mais “na cara”, menos macio que um TS, e com uma resposta de médio-agudos e agudos um pouco diferente... inclusive, quando levei o pedal para o Vino Ferrari conhecer, oportunidade em que gravamos o primeiro NA CASA DO VINO, ele mesmo definiu o pedal como um “808 com um tempero diferente”, ou seja, ele também sentiu algo diferente... não sei por ele, mas pra mim esse algo diferente era mais interessante...
... depois da entrevista com o Bruno, e de outras conversas com ele, entendi no que o OD808B (a partir de agora vou usar essa sigla, para não ficar escrevendo o nome todo do pedal) era diferente do TS808: a clipagem é diferente, ou seja, enquanto o pedal da Ibanez tem clipagem simétrica, o da GF Pedals tem clipagem assimétrica, e à isso se deve essa diferença sentida por mim e pelo Vino...
... tenho certeza que muitos dirão que essa diferença é pequena, não é muito relevante... já li muita gente opinar nesse sentido, e faço esse comentário justamente porque eu divirjo dessa opinião... pelo menos aos meus ouvidos essa é uma diferença consistente, que normalmente muda justamente aquilo que senti quando comecei a tocar com o pedal, ou seja, um timbre “menos macio” e com uma resposta diferente de freqüências altas, especialmente, muito embora a resposta das freqüências, como um todo, fique diferente da de um TS com clipagem simétrica...
... o controle de tonalidade é muito responsivo... nesse tocante não há nada nem que desabone o pedal, nem que destaque ele... funciona como um controle de TONE deve funcionar... por outro lado, quando o pedal é usado como booster/tone shaper, o TONE tem uma resposta muito interessante, justamente porque através dele é possível filtrar/tirar freqüências altas ou baixas de médios, ajustando melhor o timbre final do pedal ou amp. que o OD808B estiver empurrando... aliás, nesta função o OD808B é muito superior a qualquer TS que já tenha passado pelos meus pés... mas isso explico melhor quando escrever sobre o pedal na função de booster...
... acerca do timbre do pedal, considerando que é um “TS-like”, o OD808B tem forte presença de médios, como é de se esperar... sei que essa definição é muito vaga, muita gente usa de formas diferentes, mas na minha opinião ele não é um pedal transparente, assim como não o é qualquer Tube Screamer (reitero, na minha opinião, considerando a idéia que faço de um pedal transparente)... o OD808B colore um pouco o som, dando uma cor diferente pro timbre da guitarra... se você procura um pedal que preserve o máximo possível o timbre da sua guitarra, apenas inserindo ou mais compressão, ou até mesmo um leve crunchado, provavelmente o OD808B não seja o pedal que você procura... é muito provável que pra isso o Direct Drive, da Barber, ou o BB Preamp, da Xotic, sejam melhores opções... por outro lado, se você procura tudo isso, mas com uma cor diferente, especialmente pela forte presença de médios que o pedal insere no timbre, certamente o overdrive da GF Pedals é uma das melhores opções...
... o ganho do OD808B, frise-se, sem o Boosted acionado, é muito interessante... no mínimo ele limpa completamente (mesmo na minha Jackson, como EMGs, o sinal não chegou saturado ao amp.), enquanto que no máximo ele oferece um timbre forte, quente e encorpado... vejam bem, quando escrevo “timbre forte”, não estou dizendo que ele é um pedal que flerta com metal ou sonoridades mais pesadas do gênero... não é esse o caso... uma vez que o OD808B sempre terá a sua sombra o TS808, o que quero dizer é que ele tem mais ganho e trabalha melhor com mais ganho que um TS808... se uma outra comparação for necessária, digamos que o ganho do OD808B é similar à de um SD-1, da BOSS...
... ocorre que quanto ao ganho, o OD808B promete ir além, quando traz consigo um plus que é a chave Boosted, que aumenta o nível de ganho do pedal... contudo, antes de analisar essa chave, quero fazer um breve comentário sobre pedais que possuem essa mesma “chave extra” (tenho a pretensa certeza que muitos concordarão comigo)...
... a certa altura, quando os handmades começaram a ficar populares, se não me engano, em meados de 2004, o primeiro pedal que todos fabricavam, até pela popularidade imediata, era o Tube Screamer (fosse o TS808 ou o TS9)... o projeto que quase todos utilizavam era o mesmo, do site Tonepad.com (alguns também faziam o projeto do site Pisotones.com, que era muito popular na época), que já apresentava algumas MODs usadas até hoje, como a chave FAT, ou a chave para selecionar entre clipagem simétrica e assimétrica... e, claro, uma chave para aumento de ganho... quanto à última, todos os TSs que tive ou toquei, sem exceção, não tinham bom funcionamento dessa chave, porque como se não bastasse saturar mais, que no final das contas é o que se procura numa chave dessas, a maioria encorpava demais o timbre do pedal, deixando-o “duro” demais... é claro que o aumento do ganho do pedal naturalmente significa que o timbre ficará mais “encorpado”, mas neste caso essa encorpada era demasiada, deixando o som do pedal pouco fluído e desinteressante...
... dito isso, naturalmente não nutri muitas expectativas quando vi essa chave no OD808B... mas, felizmente, tive uma grata surpresa ao acioná-la pela primeira vez: sim, o aumento de ganho e saturação tinha uma medida muito boa; não, não havia uma mudança brusca no timbre do pedal, dando a clara sensação que a chave apenas adiciona saturação; e o mais importante, não, essa chave não encorpa o pedal da forma como descrevi acima...
... por conta disso, pude explorar essa chave de várias formas... como referido acima, usando a Les Paul, toquei Audioslave sem problema algum... toquei algumas coisas de Foo Fighters também com ótima resposta... com volume de ensaio e show, ou seja, fritando as válvulas, toquei até mesmo Judas Priest (não esqueçam que estamos falando de um overdrive que, na essência, é low gain)...
... já com a strato e single-coils, a chave Boosted soou muito bem com a captação do meio... considerando que sou cria de humbucker e que costuma achar single-coils da ponte e do meio muito “magros”, usar essa chave com o captador do meio (decididamente não consigo usar single na ponte) fez com que o timbre encorpasse um pouco mais, na medida certa, pro meu gosto, me permitindo realmente usar o captador nessa posição para tocar coisas que normalmente eu não tocaria, como músicas de bandas que chamo de “new-old-rock”, como The Strokes ou Jet (Are You Gonna be My Girl? ficou excelente)... já na posição do braço, que já tem um timbre mais encorpado, eu não costumo gostar de timbres muito saturados, com muito ganho, e aí para bases não me interessou tanto usar o Boosted acionado... entretanto, para solos, ele soou formidável com o single-coil do braço... aliás, toquei muito tempo e muitas vezes alguns blues, usando apenas um compressor nas bases, e ligando o OD808B com o Boosted acionado para os solos... os timbres sempre foram incríveis...
... como booster, o OD808B é um excelente pedal... eu costumo tocar sons mais pesados, de hard rock à metal, e nesses gêneros, fugindo a regra, eu sei, não gosto muito dos Tube Screamers como booster... digo, até gosto, mas a verdade é que o corte de graves gerado pelos TS me incomoda profundamente, justamente porque altera a maneira como eu toco, ou seja, interfere na resposta da minha pegada, portanto, não é só uma questão de querer mais graves no som, mas sim algo mais profundo, que é forma como toco e a resposta que eu tenho no meu som, mesmo que eu não esteja tocando metal, mas sim blues... nesse sentido, o OD808B atua de forma similar aos TS, inserindo médios, “preenchendo” o timbre e colocando o som em destaque na mix da banda (se for o caso), mas sem cortar os graves que normalmente os TS cortam... ou seja, se eu quiser um booster mais voltado para as freqüências médias, não tenho o direito de não considerar o OD808B como opção... muito pelo contrário, já estou abrindo um espaço extra no meu pedalboard, se é que vocês me entendem? Hehehe
... agora, uma das coisas que mais me agradaram nesse pedal foi usá-lo como tone shaper, ou seja, antes de um pedal ou amp., como booster sim, mas usando o controle de TONE para ajustar melhor a faixa de médios que chegaria no pedal ou amp... como é normal, antes de pedais a resposta não é tão evidente quanto antes do pré de um amp. (quando do pré do amp. é que vem o teu drive ou distorção)... antes dos Tubestations 5150 e 2PLUS, eu colocava bastante volume (por volta da posição de 3hs) e pouco drive (normalmente na posição de 9hs)... já o TONE eu setava de maneira a destacar mais médios graves ou agudos, conforme a minha preferência... em ambos pedais a resposta sempre foi muito boa... entretanto, fazendo o mesmo teste, com as mesmas regulagens, no canal orange de um Dual Rectifier, é que fiquei abismado com o resultado... o controle de TONE funcionava como um filtro muito forte/eficiente... parecia até que o EQ do pré vinha do pedal, e não do próprio EQ do amp... fiz o mesmo teste num Peavey Classic 30, e o resultado foi o mesmo... confesso que não lembro de um pedal tão atuante como tone shaper como o OD808B (e gostar ou não da forma como ele atua vai do gosto de cada um)... eu gostei muito... digo mais, fiquei impressionado, especialmente porque pra mim a faixa de médios é o meu calcanhar de Aquiles... eu sempre ouço na minha cabeça uma faixa de médios que nunca encontro (coisa de louco, eu sei), mas com o OD808B pude ficar mais satisfeito fazendo essa busca, e por isso fiquei tão empolgado usando o pedal como booster/tone shaper... é como se eu pudesse, enfim, manipular como eu quero uma faixa de médios que eu gosto e da maneira que quiser... enfim, achei o pedal sensacional por isso...
... no mais, amigos, acho que era mais ou menos isso... evidentemente que abaixo virá a parte multimídia, de samples e vídeo, mas antes quero que vocês leiam a opinião de 2 pessoas que puderam tocar com o pedal... normalmente eu não consigo isso, pessoas que testaram um pedal que não seja de mercado e que possa dar seu parecer sobre ele, mas neste caso temos 1) o Vino Ferrari, que tocou e pôde conhecer o pedal quando gravamos o NA CASA DO VINO; e 2) o Chico Pereira, ganhador do pedal na promoção promovida pela Toca dos Efeitos... portanto, para incrementar o review do OD808B, pedi que eles escrevessem as impressões que tiveram sobre o pedal... segue abaixo o que eles acharam da criança...
VINO FERRARI
Buenas?
Algumas semanas atrás tive a oportunidade de tocar pela primeira vez em um pedal da GF Pedals que eu tanto ouvi falar bem. E justamente o Overdrive 808 Boosted, o mais famoso da pequena família GF.
Primeiramente, o pedal é muito bonito. Layout caprichado, knobs casando bem com a proposta visual e o inlay da marca ficou bem legal.
Boa distribuição dos conroles e chaves. Ponto de alimentação por fonte na parte superior do pedal - o que eu acho excelente - diferente do padrão Fulltone e MXR.
A construção pareceu - externamente, pois não vi a parte interna dele - robusta e de qualidade. Knobs sem chiados e switch sem estalos ou dificuldades no acionamento.
A lata possui dois modos, "Modo Normal" e "Modo Boost".
"Modo Normal": Um TS808, mas com alguma diferença na forma do drive, menos perceptível em baixos ganhos e mais na cara aumentando o gain. Lendo no site do fabricante vi que uma das mods feitas no "M Normal" é a mudança da clipagem de simétrica [TS808] para assimétrica [GF Overdrive].
No "M Boost" - facilmente acionável por um pequeno switch na "cara" do pedal - é onde o pedal realmente mostra um diferencial em relação à outros TS Like. Existe um grande aumento no range de gain do pedal e sai de cena o tradicional corte de graves do TS.
Enfim, gostei muito do pedal. Com certeza um dos melhores Ts like que já tive a oportunidade de tocar e de longe uma das melhores relações custo benefício do mercado.
O desempenho, tanto stand alone - o que eu mais gostei, disparadamente, para low gain no "Modo Normal" - tanto booster de gain/frequências médias foi muito acima do esperado.
Ponto negativo: o pedal se mostrou um tanto ruidoso no "M Boost".
CHICO MACHADO PEREIRA
Pois entonces, galera... finalmente resgatei meu prêmio no sorteio oferecido por aqui. O Overdrive 808 Booster da GF Pedals chegou em mim por acaso, simplesmente porque ganhei o sorteio por aqui feito LÁAAAAA em julho, fiquei sabendo só mês passado (sim, eu sou um ratão), enfim, acho que vocês acompanharam o lance... O Milton Morales pediu que eu escrevesse um pouco sobre o bichinho e cá estou.
Se fosse definir ele com uma palavra só, seria "transparência". É INCRÍVEL como este pedal atua no som da guitarra e do amp. Todas as nuances do teu som estão lá, apenas com mais ou menos drive e da compressão natural que vem quando o nível de distorção vai aumentando. Mas é certamente o drive mais transparente que eu já peguei em mãos e pude usar em uma gig.
Meu set hoje é o mais prático possível, pois gravo muito e faço shows em locais pequenos. Tenho uma guita Variax 300, uma Jackson Performer e uma Tagima Strato (a primeira com um Seymour Duncan SH-1 na ponte, a segunda com dois DiMarzio VT-1, um na ponte e um no braço); uma pedaleira Line 6 POD XT Live. E só. A questão é que, especialmente para tocar ao vivo, dependendo do repertório, sentia muita falta de ter uma opção de drive mais transparente, que interferisse menos no timbre-base. O POD oferece algumas boas opções, mas todas interferem bastante neste quesito, modificam a equalização e as relações de volumes entre timbre limpo, drive base e solo ficam um pouco chatas de fazer (acabava tendo que dividir estes timbres em mais de um patch, o que tira um pouco da praticidade).
Antes de ganhar este pedal, estava usando para esta função um Overdrive Hobbert Faiska, que é um bom pedal (ótimo, por sinal), mas funciona melhor como drive principal do que como um pedal pra "empurrar" solos e bases mais encorpadas. Testei também um TS-10 que tenho, mas os Tubescreamers adicionam um "colorido" no som que eu não procurava.
Quando testei o GF nesta configuração, substituindo o Faiska e o Tubescreamer, achei o que faltava: volume, projeção na mix e opção de timbre de drive SEM PRECISAR DESCARACTERIZAR meu timbre original e nem (aí vem o principal) MEU MODO DE TOCAR. Esse é o pulo do gato: o pedal não muda a tua PEGADA.
Falando de coisas bem técnicas, acho que o GF fica na categoria dos pedais "sutis": o tone dele funciona muito bem, mas não traz nenhum ajuste radical - a diferença do grave pro agudo não é abissal. O drive vai do bem leve e blues até um hard rock clássico a là AC/DC e Aerosmith. E, se o objetivo for um pouco mais de volume e ganho do que isso, tem lá o valioso botaozinho de boost, que traz um timbre lindo de Hard rocks mais pegados, como um Whitesnake da vida, ótimo pra solos.
A construção e o acabamento são ótimos. Aliás, o pedal é muito bonito esteticamente. O que só contribui para que o vivente se apaixone ainda mais pelo bichinho.
Pra terminar, queria muito agradecer o Milton pela mão e o esforço pra me entregar o pedal e também a GF Pedals pela oportunidade de ter em mãos equipamento de qualidade como este. Recomendo!
Finalizando…
Por fim, vamos à parte multimídia, com os samples e o vídeo feitos com o OD808B…
… o primeiro sample é simples: single-coil do braço e todos os controles do OD808B às 12hs…
… o segundo sample foi gravado com um single-coil do meio… nesse sample procurei crunchar um pouco o timbre, colocando o ganho às 9hs, e deixá-lo com forte presença de freqüencias altas, colocando o TONE às 2hs…
… o terceiro sample, gravado com um humbucker da ponte, procura mostrar a diferença do OD808B com a chave Boosted desligada e ligada… dessa forma, esse sample sempre tem partes de músicas gravadas 2 vezes, sendo a primeira com a chave desligada, e a segunda com a chave ligada…
… o quarto e quinto samples mostram o OD808B como booster: o quarto procura mostrar um pouco do pedal como tone shaper… nesse caso, o riff é tocado 3 vezes: 1) pedal desligado; 2) pedal ligado e o TONE na posição de 9hs; e 3) pedal ligado e o TONE na posição de 3hs…
… o quinto procura mostrar a variação de timbre que o pedal oferece alterando o ganho dele enquanto booster… portanto, assim como no quarto sample, as partes das músicas são gravadas 3 vezes: 1) pedal desligado; 2) pedal ligado e ganho ZERADO; 3) pedal ligado e ganho na posição de 12hs…
… e para finalizar a parte multimídia, claro, um vídeo, que segue abaixo… infelizmente esse vídeo não foi gravado 100% como queria… o vídeo em questão foi gravado no último teste antes da gravação que deveria ter sido a definitiva… ocorre que a bateria da câmera acabou, razão pela qual utilizei a última versão de testes, que está boa, não compromete, exceto por ter ficado um “pentelhonésimo” mais agudo que teria ficado a versão final e pela guitarra ter desafinado no final… de qualquer forma, quanto ao mais importante, ouça o som do vídeo, imaginando que na verdade era pra ele ser pouca coisa menos agudo…
… de resto, amigos, agradeço mais vez o prestígio de todos… espero que apreciem esse material… e reforço o convite para todos curtirem nossa página no Facebook (http://www.facebook.com/tocadosefeitos)… quantas mais “curtidas” tivermos, mais fácil ficará o nosso trabalho para angariar novos apoiadores e podermos fazer novas promoções… portanto, cliquem no link acima e curtam a página, bem como nos sigam no Twitter (http://twitter.com/TocaDosEfeitos)…
É, amigos, demorou, mas enfim cá está um novo review da Toca dos Efeitos… melhor ainda que até o final do ano eles virão numa grande enxurrada, ou seja, fiquem ligados… ;]
… mas, então, porque retomar os reviews logo com o BD-2? Porque é um pedal muitíssimo subestimado e por isso sempre tive muita vontade de fazer um review dele… na verdade, hoje em dia já vê-se em diversas redes e fóruns da internet algumas opiniões um pouco mais interessadas sobre o BD-2, mas quão interessadas? Será que a ponto de colocá-lo no patamar de alguns pedais de celere idolatria? Não havendo resposta objetiva para esta pergunta, vamos ver em que patamar este autor o posicionaria… ;]
… o BD-2 é, na minha opinião, o melhor overdrive da BOSS… significa que ele é superior ao SD-1 ou ao OD-3? Meu amigo Diogo Felipe, que escreveu um excelente review sobre o OD-3, aqui na Toca dos Efeitos (leia-o clicando aqui), diria que não, claro, mas para o tipo de som que gosto de tirar de um drive, especialmente usando strato e o single-coil do braço, eu o considero sim o melhor overdrive da BOSS… mas não somente nesse caso… em outros também, que no curso do review ficarão mais claros…
… antes de mais nada, acho razoável situar que categoria de drive compreende o BD-2, para separar “o joio do trigo”, e não acabar comparando ele com outro pedal que nada tem a ver em termos de timbre…
… na minha opinião, e apenas na minha opinião, claro, existem drives e drives (dã!)… mas se eu fosse categorizá-los de uma forma bem rasa, diria que existem aqueles com maior presença de médios, que são os “parentes” dos Tube Screamers; e aqueles “ditos” transparentes, que preservam mais o timbre da guitarra, trazendo ao som elementos diferentes dos médios trazidos pelos TS-like, como brilho e presença de faixas altas de freqüências, especialmente agudos… o BD-2 se enquadra nesta última categoria, o que significa que se você deseja um drive “na linha de um Tube Screamer”, deve desconsiderar o BD-2 como opção… na verdade, a opção da BOSS para esse tipo de drive é o SD-1…
… e com o BD-2 enquadrado, vamos falar especificamente sobre ele…
… o BD-2 é, de fato, um pedal bastante transparente… isso significa que com ele acionado o timbre gerado não irá colorir profundamente o timbre vindo da guitarra e que em certas regulagens é possível ouvir o mesmo timbre que se ouve da guitarra com o pedal desligado, salvo pela adição de um pouco de compressão… portanto, se você deseja dar apenas uma leve crunchada no timbre, por exemplo, sem modificar o som que vem da guitarra, a melhor opção é um pedal transparente, e dos mais conhecidos no mercado entendo que o BD-2 é dos que soa mais bacana com essa característica…
… quando se pega na mão um pedal que se chama Blues Driver, naturalmente pensa-se que ele só sirva ou, no mínimo, foi desenvolvido para ser usado em sonoridades bluesy… essa não é uma conclusão errada, mas talvez não abranja tudo que é possível fazer com esse pedal… de qualquer, para blues esse pedal oferece tantas possibilidades low gain, enriquecendo bases e riffs, quanto compressão e sustain maravilhosos, com mais ganho, que decididamente tenho de considerá-lo um dos melhores pedais para o gênero… claro que o pedal mais famoso/utilizado no blues é o Tube Screamer, mas é exatamente de pedais como o BD-2 que vêem o tipo de timbre de blues que eu mais gosto… os samples e o vídeo abaixo deixarão mais claro que tipo de timbre me refiro, mas o fato é que sempre que quis uma variável diferente para atender os mais diversos timbres que procurava, o BD-2 sempre me deu o que queria, e com grande qualidade… portanto, não é só no nome, mas também no som o pedal é uma grande pedida pra quem toca blues…
… o que não é o meu caso, e, portanto, a minha grande curiosidade era saber o que eu poderia tirar do pedal com humbuckers de alto ganho, quiça usando-o como booster de um preamp high gain… e é justamente aqui que o pedal surpreende…
… a primeira coisa que salta aos ouvidos é o fato de que ele têm muito mais ganho que o esperado… pera lá, não estou dizendo que ele vira um pedal pra metal, não é isso, mas a saída dele, com o ganho no máximo, te permite tocar muito mais coisa de rock que a média dos drives do mercado… aliás, uma coisa que já ví muita gente reclamar, mas que eu achei uma assinatura muito legal do pedal, é que com o ganho no talo ele gera uma saturação um pouco fuzzy… não, o pedal não soa como um fuzz, mas satura de uma maneira um pouco diferente do usual, e por isso, logo que liguei ele na minha Les Paul, saí tocando Led Zeppelin… nem quero dizer com isso que ele é o melhor pedal para tocar Led, mas logo que toquei com ele setado com o ganho no máximo, essa foi a primeira referência que me veio à cabeça, com um resultado muito bom, mas muito bom mesmo…
… como o BD-2 é transparente e preserva muito bem os graves vindos da guitarra, usá-lo com o drive pela metade te permite tocar quase tudo de classic rock… de coisas mais contemporâneas, para não parecer que sou muito velho, uma banda que toquei muito enquanto explorava o pedal com a Les Paul foi Foo Fighters… aliás, esse é um pedal que caiu como uma luva para os sons dessa banda, inclusive porque o canal do Mesa que eles usam soa encorpado e presente, com riqueza de freqüências altas (especialmente agudos)…
… aliás, esse é, provavelmente, o ponto que costuma causar maior ojeriza em quem lê sobre o BD-2… se eu rotular o Tube Screamer como um pedal rico em médios, poucos irão se incomodar em ler isso… mas se lerem que o BD-2 é rico em agudos, provavelmente começarão a ter “contrações estomacais” no mesmo instante… hehehe
… a verdade é que o BD-2 é sim um pedal rico em agudos… ué, mas tu não disse que ele era transparente e que preservava o timbre da guitarra? Sim, disse e reafirmo isso, o BD-2 é um pedal transparente… mas ele tem um controle de TONE, que tem de servir para fazer alguma coisa no timbre, não é verdade?…
… mesmo fechando completamente o TONE do BD-2, não teremos um timbre fechado demais nem opaco… o TONE, entre a posição “zero” e às 12hs, mais ou menos, serve mais para tirar pontas de agudos que o próprio timbre da guitarra tem, mas que não são desejados, e que com a compressão natural do pedal ficam mais evidentes… entretanto, fazendo uso do TONE depois da posição às 12hs, é injetado no timbre agudos relativamente altos, mas não insuportáveis, pelo menos não na minha opinião, que lembram muito a ação do controle de PRESENCE de muitos amplificadores do mercado… com esses agudos, por exemplo, tive mais destaque de agudos quando usava o captador do braço da strato (que por si só gera um timbre mais fechado, e os agudos do BD-2 equilibram para o timbre não ficar sem presença); com esses agudos, em ajustes que preservam o timbre da guitarra, apenas dando mais compressão ao timbre, pude destacar melhor o som das primas, para ter solos mais presentes e agudos com mais sustain; com humbuckers consegui dedilhados definidos, mesmo com regulagens de ganho considerável; mas, pelo menos pra mim, o mais interessante foi ver que, de certa forma, com esses agudos é possível ter um “tipo de treble booster”…
… usar o BD-2 como booster foi a última coisa que fiz, e provavelmente a mais prazerosa, também por ter sido a mais surpreendente… pensando na dinâmica de um booster, muitas vezes podemos usá-lo para compensar algo que falta no timbre principal… se faltam agudos, o BD-2 é a melhor opção que já usei… primeiro porque ele preserva mais do timbre da guitarra, diferentemente de um Tube Screamer, que inclusive “come” graves do teu som (odeio isso nos TS); segundo, porque a ação dos agudos do BD-2 dá uma definição incrível ao timbre, uma presença sensacional (no sentido de abrir o som), compressão na medida e um sustain fora de série… quem não gosta de um timbre cheio, provavelmente não vai gostar do BD-2 como booster, mas quem gosta, é provável que se surpreenda tanto quanto eu…
… bom, acho que escreví demais, como sempre, e mesmo assim, depois de reler algumas vezes o texto, parece que não cheguei nem perto de descrever adequadamente o BD-2… e é justamente nesses casos que o melhor mesmo é mostrá-lo em ação para que cada um tire suas próprias conclusões…
… fico feliz, devo admitir, de poder oferecer um material multimídia muito mais qualificado que qualquer outro que já tenha postado anteriormente… os samples, bem como o vídeo, foram gravados adequadamente, com microfonação de amp. e tudo mais que ajudasse para mostrar adequadamente o timbre do pedal…
… inicialmente, 3 samples que mostram o BD-2 em situações distintas: o primeiro sample mostra o BD-2 naquilo que é o seu DNA: um timbre bluesy, strato e captador do braço… o segundo mostra o BD-2 um pouco mais rocker, com strato e captador da ponte (single-coil)… já o terceiro mostra o BD-2 como um booster higain, e nesse sample foi usada uma Les Paul… importante ressaltar que em todos os samples primeiro toco com o pedal desligado, e depois o aciono, com o intuito de mostrar a efetiva ação do BD-2 no timbre…
… por fim, gravei um vídeo, dessa vez captado com a microfonação do amp., e não a partir da captação direta feita pela câmera… neste dia, infelizmente, a minha guitarra estava com sérios problemas de aterramento, que foram até mais sentidos num outro vídeo gravado para o review de outro pedal… seja como for, peço que desconsiderem os ruídos que aparecem no vídeo, pois o BD-2 não é ruidoso como o vídeo leva a crer que seja… outro fator que peço que dêem algum desconto é que o timbre do amplificador ficou mais agudo que o esperado, ou seja, o timbre do BD-2 é agudo, mas não tanto quanto o timbre ouvido no vídeo pode levar a crer…
… de resto, meus amigos, agradeço pelo apoio dado, sempre lembrando que a Toca dos Efeitos tem Twitter e página e grupo de discussões no Facebook… sigam a Toca no Twitter e curtam a página do Facebook, porque isso nos fortalece bastante para poder conseguir mais apoiadores e, consequentemente, mais promoções para os amigos… logo, não esqueçam, é só seguir e curtir… hehehe
… e, claro, não deixem de comentar o que acharam do review e do BD-2… é sempre bacana saber a opinião do pessoal sobre o trabalho que vamos desenvolvendo por aqui… ;]