Alargando um pouco mais a Toca

20 de abr. de 2009 |

Antes, uma importante informação…

Como muitos devem ter notado, há algum tempo a Toca dos Efeitos não era atualizada… fico feliz por ter constatado, em todo esse período, que o número de visitas não diminuiu, o que me faz crer que parte da intenção do blog, de também ser uma fonte de pesquisa, está sendo alcançada… por outro lado, não existe pesquisa sem fontes, e naturalmente isso se dá com a inserção de material…

… o pessoal mais antigo já leu diversas vezes pedidos meus de desculpas pela demora em novas publicações e etc… contudo, a questão atualmente é um pouco diferente: eu realmente tenho tido ainda menos tempo que o usual em 2009… e a tendência, felizmente, por um lado, é que tenha ainda menos…

… isso não significa que a Toca esteja com os dias contados… muito longe disso… isso apenas significa que as minhas contribuições serão menos frequentes do que eu queria, como se pode ver pela data da publicação anterior… assim, e como já será o caso no review que segue abaixo, a Toca está se “alargando”, abrindo espaço para mais pessoas escreverem nela… sim, você mesmo, que tem vontade de escrever sobre o seu pedal, agora pode fazê-lo aqui, na Toca dos Efeitos…

… como é possível fazer isso? Simples… escreva um review e mande-o para o email da Toca (tocadosefeitos@yahoo.com.br)… e é importante ressaltar que o simples envio não significa que o review será publicado… o envio significa tão somente uma demonstração de intenção para tanto… eu lerei todos os textos, farei comentários e sugestões, o que significa que, sim, haverá uma avaliação do material escrito…

… outro fator muito relevante é que o review precisa ter samples e/ou vídeos mostrando um pouco do pedal ou efeito… esse é um requisito muito importante, pois norteia os trabalhos da Toca desde o início…

… portanto, fiquem à vontade para o que for… mandem seus textos, façam consultas, enfim, estarei à disposição para auxiliar quem quiser participar da Toca dos Efeitos…

… assim como o faz, mais uma vez, o grande amigo Marcos Craveiro, no excelente review que segue…

Abraços à todos e até a próxima…  ;]

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BOSS BF-3 - por Marcos Lelo Craveiro

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bf3

Pedais Boss, em alguns fóruns, já é sinônimo de discórdia. Alguns por usarem mal seus recursos, outros por simplesmente não se encaixarem naquilo que é a proposta do pedal, outros por terem condições de acesso aos caríssimos pedais de ponta, e alguns por simples preconceito... Por outro lado, há quem consiga ótimos resultados e se adapte bem ao uso criativo das suas possibilidades. Estes últimos, assim como eu, possuem um exemplar da Boss há muitos anos em seu setup. Enfim, qualquer pedal/efeito sofre desse mal, mas infelizmente a Boss parece ser uma marca que apesar de consagrada, virou ponto de discórdia. Meu review não pretende defender, exaltar e muito menos diminuir a marca, mas apenas apresentar o que é possível extrair desse pedal sob a minha perspectiva. O pedal avaliado neste review, se não é o modelo top dos flangers do mercado, é um excelente pedal, versátil e de preço bem razoável.

Adoro alguns modelos de flangers, como o MXR e os da EHX, e creio que soem até mais orgânicos, mas os altos preços desses modelos me levaram à época a tentar o modelo da Boss.

Um dos problemas com efeitos, principalmente modulações, é a falta de paciência do guitarrista em procurar aquilo que o pedal de fato oferece e encaixá-lo no seu som, então, o que pretendo apresentar nos meus samples são as regulagens de alguns temas conhecidos dentro (ou fora) do classic rock (que é minha praia), tentando sugerir possibilidades para que o pessoal possa partir para encontrar suas próprias regulagens, lembrando sempre que a pegada do guitarrista e o conjunto “guitarra / captador / amplificador / efeitos adicionados” são primordiais para resultados satisfatórios… e é claro: ter um objetivo para usar o efeito irá ajudar bastante, pois tem quem apenas cisme em adquirir um pedal sem saber ao certo do porquê irá utilizá-lo, e como não se trata de uma pedaleira com patches prontos, vai precisar de algum tempo se ajustando ao efeito.

O BF-3 Flanger é um upgrade do famoso BF-2. É estéreo, tem uma entrada específica para contrabaixo e possui a função TAP TEMPO. Como existem manuais disponíveis dessa linha de pedal para download (página da boss: http://www.bosscorp.co.jp/products/en/_support/om.cfm?ln=en&dsp=0&iCncd=114&iStcd=4 ), vou tentar dar uma abordagem levemente pessoal sober cada função, misturando com as definições do manual.

Bem, os controles do BF-3 consistem em:

1) RES (resonance) / MAN (manual) - é aqui que você faz o que seria um tipo de ajuste de “tone” no seu flanger, sendo:

  • Resonance: Ajusta a quantidade de feedback do efeito. Virando o knob à direta você enfatiza mais o som de flanger e mais forte tornar-se a característica do efeito. Este parâmetro controla o efeito de “vai e vem”. No entanto, como este efeito está diretamente ligado a quantidade de desafinação (depht), se vc alterar o depht, deve também regular novamente o ressonance para chegar no tempo desejado. O alcance desta função varia de acordo com o modo selecionado.
  • Manual: Ajusta o centro da frequência onde o efeito será aplicado. A faixa (indo para algo mais agudo) aumenta virando o knob à direita (no sentido horário), então, se você partir com o knob todo voltado para esquerda (7h), você notará que ele atua numa faixa mais grave, ou menos aberta, enquanto que quando o knob estiver totalmente girado para a direita (5h), você notará uma ampliação da abertura do efeito. Uma dica pra perceber como age este knob de forma evidente é deixá-lo girado completamente para um dos lados, colocar os knobs restantes em 12h, e jogar o MODO de flanger em ULTRA. Abafe o som das suas cordas e bata ritmicamente escutando o resultado da onda, depois gire o knob manual completamente para o outro lado e repita a operação. Assim ouve-se perfeitamente a faixa onde ele está trabalhando. Pode-se fazer o mesmo com o “Resonance”, pois lhe dará uma idéia melhor de atuação.

2) Depth: Controla a profundidade da onda;

3) Rate: controla a velocidade da oscilação do efeito, acelerando o mesmo ao girar o knob à direita.

(nota: a função “tap tempo” do pedal atua sobre este parâmetro, só que com a possibilidade de ajuste pelo footswitch, em tempo real);

4) MODE (modos ou funções) – são 4 : a) Momentary / b) Gate - Pan / c) Standard / d) Ultra

Sendo que:

a) Momentary – você ajusta os parâmetros do efeito como desejado (que funcionarão no modo STANDARD nessa função), e só quando pisa e mantém pressionado o footswitch é que o efeito atua. Soltando o foot, o efeito cessa imediatamente. O flanger sempre parte (inicia) do grave nesse modo. É um modo indicado para pequeninos trechos, onde acionar e desacionar dessa forma é bem mais rápido e eficiente do que seria do modo regular, permitindo a adição do efeito no exato ponto desejado do fraseado;

b) Gate / Pan -

Quando usado em MONO, soará como um efeito de GATE, onde o sinal é recortado (como um “engasgo” sonoro, mudanças bruscas de volume de forma alternada) pois ficará oscilando entre o canal A (onde o sinal passa) e o canal B (onde não existe som, pois nenhum cabo está plugado).

Quando o pedal é usado em ESTÉREO (ambas as saídas do pedal - A e B - sendo usadas), soará como PAN, ou seja, o efeito ficará passeando de um lado para o outro, na velocidade e profundidade que for setado, o que sugere um efeito tridimensional, transmitindo a sensação de rotação. Ligado em duas caixas em lados opostos do palco, torna-se algo fantástico;

c) Standard – é a função padrão (e mais usada) do Flanger, como era no modelo anterior, BF-2;

d) Ultra – é uma função, como o nome sugere, para “turbinar’ seu flanger, exacerbando o efeito. Seria algo como o modo standard dobrado, ou seja, o “jatinho” vira “concorde” aqui… ahaha. E é a função mais fácil de se “errar a mão” ao ajustar e/ou usar, mas que, com paciência, te permite algumas inovações;

O “tap tempo” tem a velocidade demonstrada pela variação de cor do LED (a velocidade que alterna é a mesma que o led muda de verde para vermelho), e para acionar essa função basta pressionar o foot e segurá-lo por 2 segundos.

Seu consumo (segundo o manual) é de 40mA, menor que o delay digital da Boss. Este modelo automaticante se liga quando você conecta na fonte (não é defeito, é assim mesmo). Dependendo do tipo de captação do seu instrumento (se ele injetar muito sinal), pode (não obrigatoriamente) haver algum tipo de distorção no sinal em algumas regulagens, que é facilmente compensado mexendo sutilmente no knob de volume do instrumento. Exatamente por essas características, eu recomendo que você teste usar seu flanger ANTES dos drives. Dessa forma, não há uma mistura do som já distorcido vindo dos pedais de drive somado ao resultado do flanger, o que pode ocasionar um boost de médios não agradável. Isso não é obrigatório, e também não se configura no “jeito certo”, é apenas uma sugestão para que você experimente. Ao vivo, meu som de drive vêm do amplificador, e como ligo minhas modulações no input do amplificador, tenho-as antes do drive... os pedais de ganho do meu pedalboard normalmente são usados em outras ocasiões, onde acabo não invertendo essa ordem, porém, novas aquisições me farão mudar toda ordem na cadeia de pedais, provavelmente tendo-os todos após o flanger.

Uma dica para quem resolver experimentar este modelo de pedal, e quiser retirar melhores resultados de algum som específico de FLANGER, é ter em mente que os knobs “Res / Man” são determinantes no ajuste fino. E quando digo “ajuste fino” é realmente entender que um “mínimo ponto” movido pode ultrapassar a linha do que o deixaria com o som mais METALIZADO, ou retirar exatamente aquele “a mais” indesejável, mantendo tanto a característica do efeito de “vai e vem” que você perseguir, quanto aquele som mais “entubado”, que é uma bonita característica de uso dos flangers, e que estão nesse limiar onde você pode também errar a mão no ajuste. Se você encontrar o ponto certo na faixa do knob “Manual”, ao trabalhar com o knob “RES”, faça-o de modo a girar minimamente e, ao mesmo tempo, dar esse mesmo cuidado ao DEPTH, pois RES e DEPTH nesse momento trabalham em conjunto.

Flanger teve seu “auge” (ou seu uso abusivo, como preferirem) nos anos 80, principalmente sendo usado nas bandas pops e new waves, embora muito clássico do rock apresente seu uso, como em canções do Van Halen, do Police, do Led Zeppelin, entre outros...

Como sempre, procuro aproximar as regulagens de algumas músicas e demonstrar as regulagens para aqueles que nunca tiveram um, ou que compraram um mas não tiveram paciência em regular, possam partir de alguma base.

Espero que os samples sejam úteis, e como sempre, espero a compreensão de que se trata de um “lado do prisma” de como abordar este efeito, e em especial, este modelo de pedal, e que não seja encarado como “a única” forma de observar o mesmo.

Os samples foram gravados no meu PC usando um simulador de cabinet da “Big Effects”, que me permite jogar o som pra dentro do micro sem problemas de captação por microfone. Em alguns samples usei outros pedais como compressor (Marshall ED-1), overdrive (TS-9 e ODM-3 Newell) e delay (Boss DD-3) para compor a idéia. O reverb foi adicionado sempre depois, pois o simulador de cabinet não possui reverb como num amplificador. A guitarra utilizada foi a minha Fender Talon IV Heartfield, que possui dois Humbuckers DiMarzio Paf Pro (ponte e braço) e um single-coil Fender no meio. Quando utilizo o single nos samples, este está sempre ligado junto ao Humbucker da ponte, mas com este último splitado (SC + HB split).

SAMPLES - PARTE 1:

Os samples serão apresentados de duas formas: 1) quem quiser baixá-los, juntamente com as regulagens detalhadas, acesse o endereço http://www.4shared.com/file/100452756/abbdf64b/FLANGER_BOSS_BF-3_-_Marcos_Lelo_Craveiro.html ; 2) doutra forma, no final do review será possível ver as regulagens e ouvir os mesmos samples do link acima, mas no formato de vídeo. Por ter recursos mais amples de edição, no vídeo pude colocar além dos samples, as regulagens e o nome das músicas tocadas. Portanto, faça uso das duas opções da melhor forma que lhe convir.

  • FLANGER NO MODO STANDARD

1) “Back on the Chain Gang” (Pretenders): No original desta música usa-se um chorus, creio eu, e aqui coloco uma opção pra usar o efeito na base clean simulando o mesmo, o que dá um bom resultado. (SC + HB ponte split);

2) “Purple Rain” (Prince): escolhi este som pra mostrar o clássico som do Flanger dos anos 80, guita clean, (SC + HB ponte split);

3) “When the Leeve Breaks” (Led Zeppelin): clássicão “lado B” do Led (que sempre cito bastante nos meus samples :D ). O fato curioso aqui é que pus todos os knobs do flanger em 12h e procurei algo que pudesse tocar dessa maneira, onde não precisaria pensar em nada de regulagens, e deu nisso... fiz o mesmo com o Delay da Boss (DD-3) quando o adquiri, como forma de ver o que o efeito me oferecia, e tambem obtive muitos resultados de onde “partir” em busca de outros. É minha maneira pessoal de dizer “olá” ao novo efeito; (SC + HB ponte split)

4) “Every Breath You Take” (Police): Esta banda usa e abusa de Flanger. Pensei em gravar uns 10 trechos seguidos só de coisas do Police por conta disso, pois esse pedal parece feito pra esta ótima banda. Aproveitei o mesmo caso citado acima, o dos knobs em 12h, pra obter o resultado aqui. Só que dessa vez, por coincidência, eu tinha uma Backing Track de baixo/bateria/teclado dessa canção e usei pra gravar a guitarra por cima. O drive usado é um TS-9. (HB ponte)

5) “Nobody´s Fault but Mine” (Led Zeppelin): Flanger é muito associado aos sons dos anos 80, mas e “rock dos 70”? Muitos clássicos usaram este efeito, e aqui nessa intro foi usado até de forma nada sutil, nessa pilha de guitarras, com drive estilão marshall (produzido pelo ODM-3 da Newell). Os exemplos que usei anteriormente eram, até então, com som clean. Assim, abri a parte de sons com drive com este tema. A curiosidade fica por conta de que ao vivo Jimmy Page usava um MXR phaser 90 pra tocar esta mesma intro; (HB ponte)

6) “You Fool No One” (Deep Purple): Ritchie Blackmore usou muito Flanger, principalmente no álbum “Burn” de 1974, ou seja, metade da década de 70. Retirei dois exemplos desse álbum, sendo este o primeiro, onde ele usa o flanger com ótimo resultado, sem ser de forma abusiva, e com drive mais controlado também; (SC + HB ponte split)

7) “Mistreated” (Deep Purple): segundo exemplo do album “Burn”, dessa vez o flanger soa mais proeminente e o “Rate” é menor, deixando-o soar mais profundo e com menos “vai e vem”, além de estar somado a um drive mais forte; (SC + HB ponte split)

8) “Don´t Tell Me [What Love Can Do]” (Van Halen): como vinha diminuindo o RATE, cheguei nesse sample com ele no mínimo. O intuito aqui foi usar o Flanger com o knob RATE zerado e tentar obter uma “aproximação” dessa música, onde o flanger soa sem o “vai e vem” de forma evidente. Nota: eu não afinei o mizão em ré, como é o padrão dessa música, fiz uma adaptação tocando um power chord invertido pra obter um resultado próximo. (HB ponte)

SAMPLES - PARTE 2:

  • FLANGER NO MODO ULTRA

1) “She Sells Sanctuary” (The Cult): intro dessa música, usada pra demonstrar o flanger no modo mais proeminente. (HB ponte)

2) “No Quarter” (Led Zeppelin): testando o modo “Ultra”, comecei a fugir do óbvio dessa função e acabei por encontrar esta regulagem, que me fez experimentar montar um arranjo para guitarra do “piano elétrico” dessa canção. Achei a função extremamente interessante e já faz parte das minhas regulagens favoritas, onde ele lembra um tremolo, mas dá um leve sabor do Flanger ao mesmo tempo. Aqui os knobs “RES / MAN” estão exatamente de lado opostos. (HB ponte + HB braço)

3) “Tema improvisado” (feito por mim): montei um tema pra usar o flanger no modo mais forte deste flanger, o “ultra”, porém, tentei deixar o efeito não encobrir a idéia, pois usar mal esta função impede seu uso de forma “musical” e o transforma em apenas um amontoado de modulação; (SC + HB ponte split)

  • FLANGER NO MODO GATE / PAN

1) “Improviso usando o Modo Gate” (feito por mim): Apenas um improviso aproveitando a sugestão ritmica do mesmo;

2) “Won´t Get Fooled Again” (The Who): aproveitando as mesmas características do sintetizador dessa música e fazendo o arrando transposto para guitarra, com o Flanger nesse modo;

  • FLANGER NO MODO “MOMENTARY”

Nota: Esta função não se trata de uma nova “sonoridade de flanger”, e sim, uma ferramenta de acionamento diferenciada, de um modo já existente no pedal, no caso, habilitada sempre no modo STANDARD, então não vi necessidade de gravar algo com ela.

Abraços,

Marcos “Lelo” Craveiro

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